Impasse
Troca de hidrômetros gera reclamações
Clientes citam rispidez e falha na finalização do serviço por parte do Sanep
Jô Folha -
Uma ação do Sanep que visa a substituição de hidrômetros, gerando uma maior acessibilidade no momento da leitura por parte do órgão, tem sido motivo de reclamações de moradores. Entre as alegações estão a rispidez de funcionários no momento da notificação e uma deficiência na finalização do serviço.
Em contato com o Diário Popular, uma moradora do Laranjal, que prefere não se identificar, conta que no começo desta semana recebeu a visita de dois homens, sem identificação da autarquia em um carro prata, também sem algo que remetesse ao órgão, afirmando que não estava sendo possível fazer a leitura do hidrômetro e solicitando a entrada no pátio. "Ele chegou falando que era do Sanep e entrando pelo portão. Eu não deixei e falei que iria ditar para eles os números para que fosse possível a realização da cobrança de água. Cheguei a achar que era um golpe", conta.
A surpresa veio após. Ela afirma que de modo alterado o homem gritou "tu vai botar esse relógio para frente de casa hoje de tarde, os funcionários vão voltar hoje". A princípio, o serviço foi marcado para quinta-feira, porém à tarde um grupo de servidores retornou, desta vez portando identificação, mas sem uma notificação para o serviço. "Eles não ouviram a minha negativa e eu não vou deixar fazerem nada sem algo pelo menos carimbado pelo Sanep".
No dia seguinte, uma notificação chegou até o local, dando prazo de 20 dias para a readequação do hidrômetro. Após contato com a autarquia, ela afirma que foi repassada a impossibilidade de leitura devido a alguns fatores. A moradora afirma que o remanejo do equipamento não é o problema, mas sim o tratamento por parte do funcionário e que diversas outras pessoas podem estar passando pela mesma situação.
Questionada, a autarquia afirma que o servidor do Sanep ou da empresa terceirizada (Consórcio Tecnoáguas) sempre deve estar devidamente identificado, sem exceção, quando não acontecer pode se tratar de golpe. Quanto à alegação de rispidez por parte do servidor, afirma que "não é conduta compatível com o que prega o Sanep, por isso, a situação será apurada internamente para que esse tipo de situação não venha a ocorrer", diz a nota.
Prejuízo
Outro caso envolvendo a troca do hidrômetro aconteceu na área central da cidade. Proprietária de um centro de pilates, Thainá Castro conta que há um mês foi notificada da necessidade de realocação do equipamento, que se encontrava na parte interna do estabelecimento. Para a retirada, foi feita a quebra da parede e o equipamento alocado rente a única porta do local. O espanto veio quando o funcionário da autarquia afirmou que a finalização do serviço, como o fechamento da parede, a retirada das sobras de areia e a recolocação das lajotas não seria feita, deixando um estrago no local. "Eles terminaram a troca e me falaram 'a minha parte é essa, é só trocar o relógio, o resto é com o proprietário", conta.
A empresária conta que a maior preocupação era devido aos buracos, principalmente o que abriga atualmente o hidrômetro e ainda não está fechado. "Passam vários deficientes visuais, eles batem com a guia e não conseguem mais andar, já vi pessoas caírem. A maioria dos meus clientes são idosos, eu preciso ajudar eles a sair porque é praticamente na frente da porta".
Segundo ela, a notificação para o fechamento da vala foi repassada à imobiliária responsável. No entanto houve uma negativa, afirmando ser incumbência da autarquia. O Sanep voltou ao local, fez a retirada dos materiais e novamente afirmou não ser de sua responsabilidade a finalização do serviço. O impasse se estendeu por três semanas, até que as duas lajotas foram realocadas ao local de origem e uma sinalização foi implantada pelo órgão nos últimos dias.
A reportagem também questionou a autarquia sobre o assunto e a mesma afirmou que "no mesmo dia que chegou a reclamação a equipe deu a devida manutenção". E explicou que o acabamento, quando se trata de calçada de cimento, é realizado. Em casos de lajotas, porém, o Sanep e a empresa terceirizada não quebram sem a autorização do usuário por não haver uma substituição. Caso o usuário possua o material, este é recolocado sem custo.
Entenda
O remanejo dos hidrômetros integra o Programa de Controle de Perdas Comerciais, ação que visa diminuir o índice de perdas, com redução de vazamentos, ligações irregulares e obter maior controle na distribuição de água no município. Desde a alteração da Lei Municipal n° 6.404/2016, a cobrança da água passou a ser realizada pelo consumo medido, e não mais por área construída, tornando os hidrômetros fundamentais ao processo.
Segundo o Sanep, em vários locais da cidade havia aparelhos que nunca tinham sido trocados, já defasados pela ação do tempo, o que poderia gerar prejuízo para o próprio morador, uma vez que quando não é possível realizar a leitura por um longo período corre-se o risco de acarretar em uma cobrança mais elevada no futuro por conta da diferença de uso de média. A substituição também visa padronizar os hidrômetros, garantindo a acessibilidade e o correto procedimento de leituras e emissão de contas.
O hidrômetro deve estar acessível não apenas para leitura, mas para manutenção, caso necessário, evitando possíveis dificuldades tanto para acessar o hidrômetro, quando é necessária a remoção, manutenção ou o corte por inadimplência, quanto para verificar o consumo através dos números marcados no relógio.
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