DIa da Independência

Um 7 de setembro polarizado

Feriado será marcado por manifestações a favor e contra o governo federal em todo o país

Jô Folha -

Pelotas se prepara para receber um 7 de setembro um pouco diferente dos outros anos. Se antes a cidade parecia estar unida e prestigiando os desfiles comemorativos na avenida Bento Gonçalves, desta vez a característica é outra: a divisão. Em uma parte da cidade estarão reunidos os que defendem o governo federal e em outras os que são contra a atual gestão.

No largo do Mercado Público, a partir das 15h, se encontrarão os que não se sentem representados por Jair Bolsonaro (sem partido). A manifestação é chamada pela Frente em Defesa dos Serviços Públicos, das Conquistas Sociais e Trabalhistas de Pelotas. Além do ato, o grupo organiza o 27º Grito dos Excluídos, que conta com sete atividades distribuídas pelos bairros da cidade antes do encontro unificado no Centro.

Um dos organizadores, Luan Badia, garante que mesmo o clima no país não sendo dos melhores, os manifestantes não estarão nas ruas com um sentimento de confronto. “Entendemos que é um dia de defender o Brasil e também o povo brasileiro, que é o trabalhador, que vem sofrendo cada vez mais”, aponta. Apesar de algumas lideranças da oposição pedirem para que as manifestações ocorram em outro dia, Badia acredita que em Pelotas seja, sim, o momento de fincar posição, já que, segundo as últimas pesquisas publicadas, a popularidade de Bolsonaro não para de cair. “Esperamos uma atividade tranquila, com boa participação da população e um clima de união para ir contra as medidas antipopulares”, disse.

Pró-governo

Já os que se sentem representados pelo presidente não unificaram suas manifestações. Um grupo intitulado “Pelotas Livre” marcou um ato para as 15h, no Altar da Pátria. A reportagem tentou contato com os organizadores, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

Outro grupo defensor do governo se encontrará, também às 15h, na frente do 9ª Batalhão de Infantaria Motorizado, na avenida Duque de Caxias. Segundo um dos participantes, Alberto Teixeira, que faz parte de um grupo de patriotas, a divisão na cidade não o preocupa, pois ele garante não saber de nenhuma manifestação da oposição e “se houver, irão pouquíssimas pessoas, o que a tornará insignificante”, falou.

Sobre a importância de estar na rua em um dia tão simbólico, Teixeira atribui a este 7 de setembro a “segunda independência”. Ele defende que a primeira foi feita por Dom Pedro I e a segunda será feita por Bolsonaro e outros patriotas.

A palavra da especialista

A cientista social Elis Radmann explica que o contexto atual pode começar a ser entendido através de dois eixos. O primeiro pauta a cultura política, que cultua a descrença, principalmente, depois de uma sequência de escândalos exibindo a corrupção. Com isso, chegou-se à negação política.

Já o segundo eixo é marcado pelo marketing de guerra, ativando a tese dos culpados. “Se você tem uma cultura política de descrença e se ativado o marketing de guerra de criminalização da política, cria-se a tempestade perfeita e ativa-se a polarização. Assim sempre teremos o discurso de um inimigo e, como estamos feridos do ponto de vista cultural, a gente procura o inimigo e gera desunião”, resume.

Ela destaca que o problema está na cultura política que se fragiliza com o marketing de guerra. “É algo estrutural e estratégico ao mesmo tempo”, pontua. Outro ponto destacado por Elis é que esse processo torna-se um ciclo vicioso, sendo alimentado pelas bolhas digitais. Sobre o que esperar do Dia da Independência, a cientista acredita que a data seja “conturbada e doída”. “Isso pode nos trazer lições para revisitar onde estamos e para onde podemos ir. Revisitar o nosso olhar para o bem comum”, disse.

Preparação e segurança

Segundo o secretário interino de Segurança Pública de Pelotas, José Apodi Dourado, as manifestações são um direito do cidadão. A Guarda Municipal estará com seus efetivos nas ruas para, em conjunto com outros órgãos de segurança pública, atuar em caso de excessos, preservando a vida e a segurança da população, assim como os prédios públicos. “Cabe salientar que a pandemia não passou e que as determinações, previstas nos decretos e leis vigentes, como o uso da máscara de proteção e o distanciamento, devem ser respeitados”, ressaltou Dourado.

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