Conscientização
Um dia para conscientizar e mudar hábitos
Nesta quarta-feira é celebrado o Dia Mundial Sem Carro, data que visa a redução no uso do automóvel
Jô Folha -
O Dia Mundial Sem Carro, celebrado nesta, busca problematizar o uso excessivo do automóvel e impulsionar o debate de alternativas, na mobilidade urbana, para incentivar a redução do deslocamento, principalmente urbano, sob quatro rodas. No calendário brasileiro desde 2001, a data - como o próprio nome aponta - sugere que neste dia as pessoas utilizem seus automóveis apenas em caso de real necessidade, estimulando que a população utilize o transporte coletivo ou bicicleta.
Essa prática de redução já vai além de apenas o 22 de setembro, tornando-se uma rotina. É o caso do motorista Valdair Severo, que, mesmo tendo carro e moto, prefere muitas vezes ir de bicicleta para o trabalho. "Não uso para trabalhar todos os dias, mas sempre que dá eu venho. Tenho carro e moto, mas prefiro vir de bicicleta para fazer uma atividade física, que é um ponto essencial e que todo mundo precisa [fazer]", conta.
"Trabalho como motorista, então vir de bicicleta me proporciona fazer um exercício, já que fico muito tempo sentado. O percurso que faço é perfeito, porque tem muitas ciclofaixas e ciclovias, então isso beneficia muito. Gosto muito de correr e pedalar, então isso é bom, tu te sentes bem", afirma Severo, destacando ainda que a idade não deve ser um empecilho para quem cogita incorporar a "magrela" no dia a dia. "O valor do combustível está elevado, então isso também ajuda a vir", complementa.
Se para Severo a alternativa é o veículo não-motorizado de duas rodas, para o aposentado Delmo Pinto, além da bicicleta, fazer o deslocamento a pé e usar ônibus são suas preferências. "Eu sempre gostei de andar de ônibus, mesmo porque de carro no Centro é muito complicado para estacionar. [Andar] a pé e de bicicleta faz bem à saúde", defende.
Ele comenta também que, com a pandemia, a utilização do transporte público acabou sendo reduzida por precaução. "Ultimamente eu tenho andado mais a pé", relata.
Alternativas na mobilidade urbana pelotense
Segundo o secretário de Transporte e Trânsito, Flavio Al Alam, nos últimos dez anos a prefeitura fez alterações na mobilidade urbana, como a construção de corredores de ônibus, repavimentação de vias utilizadas por transportes coletivos e a expansão de ciclovias e ciclofaixas, para estimular a redução do uso do carro. "É um conjunto de ações que vem no sentido de tentar, de certa forma, dar preferência ao ciclista, ao pedestre e ao transporte coletivo, que são os três vieses que, dando condições, tu consegues reduzir a utilização do veículo", explica.
Al Alam diz que 45 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas foram ampliados até o momento e que muitas obras em andamento ou futuras já são planejadas para um pedaço da via exclusiva aos ciclistas. "Trabalhamos bastante na questão da acessibilidade dos pedestres. Trocamos mais de 60 cruzamentos semafóricos, colocando em todos sinalização específica para pedestre, o que o ajuda a fazer travessias com mais segurança, além de calçadas com mais acessibilidade", acrescenta.
"É um desafio para qualquer cidade, porque as pessoas incorporaram o veículo como além do seu deslocamento, como um bem. Isso é uma questão mundial e que justamente o Dia Mundial Sem Carro é uma forma de pensar o assunto. Ninguém consegue fechar as ruas e dizer 'hoje ninguém anda de carro', pois seria um grande transtorno, mas ele vem para que as pessoas discutam quais alternativas que nós temos para diminuir a circulação de carro", opina o secretário, que frisa ainda que, atualmente, 220 mil veículos estão cadastrados no município, que tem 340 mil habitantes.
Prático porém nocivo
De acordo com a engenheira ambiental e sanitarista Danieli Cardoso, a utilização dos carros como meio de transporte gera impactos no meio ambiente, como a poluição do ar, assim contribuindo para aumento do efeito estufa pela excessiva emissão de dióxido de carbono (CO2). "As emissões causadas por veículos carregam diversas substâncias tóxicas que, quando entram em contato com o sistema respiratório, podem produzir vários efeitos negativos sobre a saúde humana", ressalta.
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