Empatia
Um exemplo de amor ao próximo
Voluntário em hospitais, aposentado se recuperou da Covid-19 em UTI que revitalizou
Carlos Queiroz -
Empatia, amor e solidariedade são as palavras que descrevem um jovem senhor, que há cerca de 20 anos dedica sua vida a ajudar o próximo. O servidor público aposentado Júlio Moura, 53, doa parte da aposentadoria, tempo e mão de obra em prol da reforma de creches, escolas e hospitais em Pelotas. Por conta da pandemia o trabalho aumentou, devido à demanda de leitos exigidos e, em uma história escrita por linhas tortas, Moura acabou reencontrando um dos leitos que ajudou a revitalizar, mas desta vez como paciente da UTI da Santa Casa do município.
Conhecido pelo seu exemplo de amor ao próximo, o pensionista da Polícia Rodoviária Federal dedica a sua aposentadoria na requalificação de espaços destinados ao uso público. Dentre suas maiores motivações, o bem comum e um melhor local de tratamento para as pessoas que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS). Sua maior satisfação se define em, ao visitar as dependências dos locais onde ajuda, ver os pacientes bem instalados.
“As pessoas, digo a maioria, querem andar em carro importado, querem dinheiro na conta, mas a verdadeira felicidade é estar contribuindo com algo que é para todos. Nosso modelo de educação hoje esteriliza a solidariedade dos indivíduos, contemplando apenas o individualismo. Sempre penso: se eu posso fazer algo para melhorar a vida das outras pessoas, por que não fazer?”, declara.
Dentre seus feitos, já prestou apoio ao Pronto-Socorro de Pelotas (PSP) auxiliando na manutenção da ala pediátrica do local. Além disso, investiu na recuperação da entrada do bloco cirúrgico, reforma de enfermarias, área externa da ginecologia e obstetrícia e dos corredores da UTI adulto e endoscopia do Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE-UFPel). Recentemente fez a doação de uma moto ao Hospital Universitário São Francisco de Paula (HUSFP), utilizada no transporte de exames para detecção do coronavírus, destinados a pessoas que estão impossibilitadas de sair de casa.
Parado, mas não vencido pelo coronavírus
Em abril de 2020, quando a pandemia do novo coronavírus ainda não havia ganhado força na cidade, Moura estava revitalizando, juntamente com o projeto Mão de Obra Prisional (MOP), algumas alas da Santa Casa de Misericórdia de Pelotas que seriam destinadas a acolher pacientes com diagnóstico confirmado para a Covid-19.
Alguns meses depois, em janeiro deste ano, o voluntário retornou a um dos leitos de UTI que ajudou a reformar, desta vez sem conseguir colocar a mão na massa e sem poder ajudar, mas sim precisando de auxílio devido a complicações causadas pela infecção pela Sars-Cov-2. Questionado sobre seu maior temor naquele momento, afirmou que “o medo era de que ficassem sequelas, e que ajudar o próximo não fosse mais possível”.
Passado um mês de sua hospitalização, e já plenamente recuperado, o ex-paciente só tem a agradecer pelos cuidados que recebeu e, como forma de agradecimento, retornou ao que mais conquista seu coração: o trabalho voluntário. Nesta semana, por exemplo, ele está na reforma da ala de pediatria do HUSFP.
E em um momento em que todos sentem na pele a necessidade de cuidados e, por diversas vezes, a falta do próximo, quem está acostumado a ajudar deixa um recado. “Penso que é um momento de união, um momento de darmos as mãos, de ajudar o próximo. Existe uma palavra que parece ter caído em desuso, ter sido esquecida, que se chama empatia”, finaliza.
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