Violência contra a mulher
Um grito por justiça
Pelotas e Rio Grande promovem manifestações contra o feminicídio e a cultura do estupro
Jô Folha -
Pelotas já tem dia e horário para pedir justiça por Simone Souza e Mari Ferrer. A manifestação ocorrerá neste domingo, a partir das 14h, no largo do Mercado Central. O movimento está sendo liderado por jovens pelotenses e rio-grandinas que resolveram não se calar diante do assassinato de Simone e da absolvição do acusado de estuprar Mari. Em Rio Grande, o grupo se concentrará na praça Xavier Ferreira, no mesmo dia e horário.
Uma das organizadoras do protesto em Pelotas, Kethellen Lopes, conta que toda movimentação de organização começou na última terça-feira à noite. "Conversei com mais duas meninas de Rio Grande que estavam organizando e já está tendo uma boa repercussão", disse a jovem de apenas 17 anos que, até então, só participava de atos como militante. O evento unificado, que divulga os protestos nos dois municípios, já conta com mais de 1,9 mil pessoas confirmadas, mas deixa evidente que o uso de máscara é obrigatório e todos os cuidados de higiene precisam ser tomados.
No país em que um estupro é cometido a cada oito minutos, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a estudante do 2º ano do Ensino Médio do Colégio Cassiano diz que a força para ir às ruas gritar por justiça vem da indignação. "Se o Estado não nos protege precisamos proteger umas às outras", desabafou. Novata no meio das organizações, ela conta que o que ainda está em falta é um equipamento de som. Com ele, os discursos e as palavras de ordem que protagonizarão a tarde ficarão mais evidentes. Mas independente disso o ato está confirmado e com um perfil que reúne união e sororidade. "Quando acontece algo com uma de nós, acontece com todas", disse Kethellen.
Relembre os casos
Simone Souza Cunha, 23, foi encontrada morta nas dunas da Praia do Cassino no último dia 2. A mulher foi localizada por um casal no início da manhã. Segundo a polícia, ela estava nua, apenas com uma blusa puxada acima do peito e o corpo apresentava marcas de violência sexual. A jovem foi enterrada no dia seguinte, na terça-feira, em Rio Grande. Na última quarta-feira (4) a Polícia Civil prendeu um jovem de 27 anos, acusado de ter praticado o crime.
Mari Ferrer é influenciadora digital em Florianópolis e em 2018 trabalhava como embaixadora de uma das casas noturnas mais tradicionais da Ilha. No local, durante uma noite de trabalho, a jovem diz ter sido dopada e estuprada. Ela afirma não lembrar do que aconteceu e através de investigações e exames chegou-se no nome do empresário paulista André Aranha. Em julho do ano passado o suspeito tornou-se réu no processo. Na última terça-feira Aranha foi absolvido pelo juiz Rudson Marcos, pois ele concluiu que não haviam provas suficientes depois do Ministério Público de Santa Catarina manifestar-se dizendo que o empresário não teve a intenção de praticar o estupro. Por isso, a situação está sendo chamada de "Estupro Culposo", ou seja, sem intenção.
Além disso, durante a audiência, a influenciadora digital foi constrangida pela defesa do empresário, tendo fotos expostas e ouvido frases do advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho, como "e também peço a Deus que meu filho não encontre uma mulher como você" e "não adianta vir com esse teu choro dissimulado, falso e essa lágrima de crocodilo". Mariana rebateu apenas pedindo respeito.
O quê? Manifesto - Elas por Elas!
Quando? Domingo, dia 8
Onde? No largo do Mercado Central
Que horas? Às 14h
O que não pode faltar? Máscaras e álcool gel
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