Buraqueira
Um problema que piora com a chuva
Moradores reclamam dos buracos e da falta de manutenção em ruas de bairros em Pelotas
Jô Folha -
O sentimento dos moradores de alguns bairros de Pelotas é de indignação com o estado de conservação de algumas ruas. Além da buraqueira, problemas como a falta de limpeza das valetas e dificuldade no escoamento da água ficam ainda mais evidentes em períodos de chuva, como os últimos dias.
Uma dessas ruas é a Encantado, no Laranjal. Segundo os moradores, os problemas com buracos no local já duram anos e, com a chuva, a situação fica ainda mais evidente. "Tá horrível a situação. Se andar por essas ruas dá para ver piscinas no meio da rua", comenta Rodrigo Petitot, 43 anos. O motorista por aplicativo conta ainda que precisou fazer uma volta maior do que deveria para largar uma passageira na Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro devido ao estado que estavam as ruas. Próximo dali, na rua Taquari, além dos buracos, um trecho da via também estava alagado.
Ainda no Laranjal, os 50 milímetros de chuva que caíram na cidade até as 14h de hoje, deixaram parte da rua Hulha Negra embaixo d'água. O problema de escoamento é recorrente, como conta Cláudia Bitencourt, 49. Moradora do local há 23 anos, a servente de escola diz que a situação sempre foi assim. Para tentar solucionar o problema, o Sanep já foi chamado no local, mas alegou não ser de sua responsabilidade a realização do serviço. Ela ainda lembra a enchente de 2015, quando a água invadiu sua casa, fazendo com que Cláudia perdesse tudo. "É uma pouca vergonha isso! As valetas tudo entupidas não deixam a água escoar e está cada vez pior, porque mais casas estão sendo construídas e a gente não tem estrutura", comenta.
O medo dos moradores desta região de ter as casas invadidas pela água fica ainda maior com previsões como a de hoje, onde há a expectativa da queda de 81,7 milímetros de chuva, de acordo com a Metsul Meteorologia.
Buraqueira sem fim
Na rua Mortágua, no bairro Recanto de Portugal, a falta de patrolamento nas ruas e a limpeza de valetas incomoda os moradores. O restaurador Ricardo Gonçalves, 58, mora no local há 25 anos e conta que nos últimos dois vem notando maior descaso com a localidade. Os problemas de escoamento obrigaram o irmão de Gonçalves a fazer uma vala em frente à sua casa, para evitar que água entre na residência. O que já aconteceu em outras ocasiões. "A prefeitura até começou a fazer a manutenção colocando um material em algumas ruas, mas quando achamos que o serviço iria avançar, eles foram embora", comenta.
O único acesso à rua Mortágua é a rua São João da Madeira, que também está intransitável. Mecledes da Cunha, 61, mora no local há quatro anos e diz que a situação sempre se manteve a mesma. "É uma vergonha o estado que está isso. Precisa passar uma máquina, colocar um areião e passar um rolo compressor igual fazem em outros lugares", comenta a técnica de enfermagem aposentada.
Já no Areal a situação é a mesma das demais. Há buraco até onde tem asfalto, como é o caso da avenida João Gomes Nogueira. Na rua Dr. Jamil Abuchaem, os moradores dizem que a via é sempre esquecida. O comerciante André Florindo, 47, reclama da situação do local. "É um descaso com essa rua. Todas as outras eles [poder público] colocam saibro, arrumam, mas essa nada, cada buraco é uma cratera", comenta Florindo.
O que diz o poder público
Em relação a rua Hulha Negra, o Sanep informou que o serviço não é de sua competência. "O Sanep é o responsável pela drenagem em ruas pavimentadas. A drenagem em vias não-pavimentadas, como a Hulha Negra, é de competência da Secretaria de Serviços Urbanos" diz na nota.
A reportagem do Diário Popular entrou em contato com o secretário de Serviços Urbanos, mas até o fechamento desta edição não obteve retorno. Uma nota enviada pela assessoria de comunicação da prefeitura informou que o volume de chuva formou áreas com alagamentos em algumas regiões da cidade e que a Secretaria de Serviços Urbanos e Infraestrutura (SSUI) deslocou equipes, retroescavadeiras e caçambas para a Sanga Funda e Getúlio Vargas, onde o problema apresentou-se mais acentuado, para abertura de valetas e de travessias de drenagem. Em outras áreas, os alagamentos foram em locais pontuais e também recebem intervenções.
A nota, a prefeitura informa que os pluviômetros monitorados pelo Sanep, em diferentes pontos da cidade, acusaram o acumulado com os seguintes volumes: Centro - 60 milímetros, Barragem - 55 milímetros, Porto, pouco mais de 70 milímetros.
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