Preocupação

Um risco antigo

Após público ser convidado a se retirar da passarela do Simões Lopes, cruzamento volta a preocupar a comunidade

Jô Folha -

Conhecida por apresentar um longo histórico de problemas, a passarela do Simões Lopes voltou a gerar alerta nos pelotenses. Na noite da última quarta-feira, dezenas de pessoas que esperavam a chegada da Maria Fumaça com as luzes de Natal foram convidadas para descer do local, pois ele estaria apresentando risco de desabamento.

Quem esteve presente na ocasião foi o autônomo Dione Glei. Ele relata que estacionou o carro nas mediações do bairro Simões Lopes e se deslocou até a passarela com a família para conseguir enxergar melhor a atração. Várias pessoas tiveram a mesma ideia e o local acabou enchendo. Segundo ele, pouco antes da chegada do trem, um policial militar passou pela passarela explicando para o público sobre o risco e pedindo para que todos descessem. "Foi um pedido para preservar a nossa segurança", completa Glei.

No momento em que descia, Glei questionou o policial sobre a condenação do lugar, visto que se a estrutura apresenta riscos deveria estar interditada. "Mas não tive respostas", informou o autônomo. De acordo com Glei, o PM disse ao público que o pedido tinha vindo de um engenheiro que estava lá embaixo e ficou assustado com a quantidade de gente em cima da estrutura.

O Diário Popular esteve no local na tarde desta quinta-feira (28) e pôde observar algumas situações, como rachaduras, ferrugem na estrutura metálica, falta de concreto e de proteção nas laterais. Rosane Carvalho, 61, utiliza a passarela todos os dias e nota que problemas como fissuras e falta de iluminação estão presentes. Como o cruzamento é o caminho mais curto para os moradores do Simões Lopes se deslocarem até o Centro, a estrutura acaba sendo uma via importante para eles.

Órgãos como Corpo de Bombeiros, Brigada Militar e Defesa Civil foram procurados pela reportagem, mas nenhum soube informar se havia alguma alteração no local. A Secretaria de Serviços Urbanos e Infraestrutura (Ssui) informou que é responsável somente pela limpeza da passarela. A empresa Rumo, responsável pelos trens, também foi procurada pela reportagem, mas não deu retorno até o fechamento desta edição.

A passarela ao longo do tempo

1998
Setembro - A passarela do Simões Lopes é condenada pela Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec). Um laudo entregue à antiga Seurb indica que a estrutura "não apresenta condições satisfatórias de atender aos requisitos mínimos do estado limite de utilização, por fissuração exagerada". A análise considerava na época o risco de o viaduto atingir, em curto espaço de tempo, um "estado limite último ou de ruína". A prefeitura interdita o local, mas os próprios moradores arrancam o tapume dias depois e seguem utilizando o cruzamento.

1999
Abril - Parte das muretas da passarela desaba sobre os trilhos.

2000
Agosto - Durante a passagem do trem no local, a peça de um vagão atinge e arranca um dos pilares de sustentação do viaduto. O escoramento da estrutura com toras de madeira, feito em 1998 pela prefeitura, impede que a passarela desabe.

2002
Junho
- Um novo choque do trem ao viaduto arranca outro pilar da passarela.

Agosto - O ex-vereador Luis Carlos Mattozo (PSB) ingressa com representação no Ministério Público contra a prefeitura e a América Latina Logística, por causa do estado de deterioração da estrutura. Parte do pilar arrancado em junho, suspenso na passarela, sofre novo abalo depois que a corda usada para prender a lona de um vagão se prende ao bloco de concreto.

Outubro - Dois engenheiros e uma arquiteta da antiga Secretaria de Obras (SMO) e agentes da Secretaria de Cultura (Secult) vistoriam a passarela para determinar qual será a mão de obra utilizada para a recuperação das laterais do viaduto. Integrantes do bloco burlesco Bafo da Onça se oferecem para fazer o trabalho, depois de arrecadarem material junto à comunidade.

2003 - A passarela é bloqueada e é feito novo escoramento do viaduto

2004 - A responsabilidade pela passarela no Simões Lopes é da empresa América Latina Logística (ALL). Quem afirma é a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que determina ainda à empresa, em caráter de urgência, a recuperação do local.

2009 - Moradores reivindicam recuperação da estrutura metálica, que começa a ser corroída pela ferrugem.

2010 - A passarela começou a ser recuperada.

2011 - A obra de recuperação foi concluída.

2014 -Passarela é interditada por 21 dias para reforma.

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