Saúde

Um trabalho de todos para barrar o vetor

Vigilância conta com o apoio da população para conter proliferação do transmissor da dengue

Carlos Queiroz -

Chega o verão e com ele aparecem o calor intenso, as chuvas e o aumento da umidade. O problema, no entanto, é que a soma desses três fatores favorece, e muito, a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da chikungunya e do zika vírus - doenças graves que podem levar à morte.

Em Pelotas, quem faz o trabalho de identificação e contenção dos focos é a Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). “A gente tem feito um trabalho permanente, com visitas domiciliares. Mesmo na pandemia continuamos fazendo, claro que agora com algumas restrições. Nossos agentes se limitam às áreas externas das residências, procurando depósitos com larvas. Fazemos a coleta e levamos ao laboratório para análise”, afirmou a chefe do Departamento de Vigilância Ambiental, Isabel Madrid.

Além das visitas domiciliares, o departamento tem outras maneiras para monitorar o surgimentos de novos focos de larvas dos mosquitos. A equipe deixa armadilhas, principalmente em locais com fluxo de veículos intermunicipais, como transportadoras, empresas de ônibus e a rodoviária. “Deixamos pneus cortados ao meio, com água, que são monitorados semanalmente, de forma permanente, para averiguar se o Aedes está vindo de outros municípios”, conta Isabel. Pontos estratégicos, como oficinas, borracharias e cemitérios, locais com depósito de água permanente, são monitorados quinzenalmente pelo programa.

“Quando detectamos um foco de Aedes, delimitamos um raio de 300 metros a partir desse ponto. Todos os imóveis dentro desse raio são vistoriados para tentar conter a disseminação do mosquito. Além da vistoria, são aplicados produtos para conter o mosquito adulto e a larva”, explica.

Mesmo com algumas equipes espalhadas pela cidade, a Vigilância Ambiental não consegue dar conta da demanda. Por isso, Isabel reforça que cada um precisa fazer a sua parte dentro de casa. “Não conseguimos monitorar 100% dos imóveis, nem perto disso. A colaboração da população é extremamente importante. Dez minutos que a pessoa dedique, uma vez por semana, vistoriando o pátio, brinquedos das crianças que ficam na rua, já ajuda muito”, disse ela, antes de fazer um alerta: “as pessoas normalmente só pensam em grandes depósitos, mas a fêmea do Aedes prefere depositar seus ovos em locais pequenos, como uma tampa de garrafa com água.”

Outro tipo

O Aedes aegypti é o maior transmissor de doenças como dengue, zika vírus e chikungunya. Mas outro tipo, o Aedes albopictus, também pode carregar o vírus dessas doenças. Os dois tipos, no entanto, gostam de permanecer em locais diferentes. Enquanto o aegypti aparece mais dentro das residências, o albopictus é encontrado na vegetação. “A gente tem nitidamente, nos dois últimos anos, a prevalência do Aedes aegypti na região do Fragata, principalmente no Simões Lopes. Enquanto o Aedes albopictus aparece mais no Laranjal”, explicou Isabel Madrid.

A incidência de focos dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus cresceu nos últimos dois anos. Em 2018, foram 21 focos de aegypti e 20 de albopictus. Já em 2019 houve um salto para 49 e 68, respectivamente. Os números foram ainda maiores no ano passado, com 53 focos de aegypti e 80 de albopictus - 133 no total.

Também houve mudanças quanto aos locais onde os focos foram encontrados. Em 2018, 45% dos focos eram identificados em armadilhas, com 35% em residências, 2,5% em terrenos baldios e 17,5% em outros locais (comércios e pontos que não se enquadram nas outras categorias). Em 2019 o houve um aumento considerável nas residências (45,3%), seguido por armadilhas (23,1%), outros (17,1%) e terrenos baldios (14,5%). Já em 2020, as residências seguiram na frente com 37,6%, e na sequência aparecem terrenos baldios (26,3%), armadilhas (21,8%) e outros (14,3%).

Dicas importantes

Colocar água sanitária nos ralos e banheiros em desuso nas residências

Eliminar qualquer depósito de água parada, seja uma simples tampinha, seja recipiente ou objeto de maior porte, como baldes, brinquedos, pratos de vasos de plantas e outros.

Acondicionar garrafas com o gargalo virado para baixo.

Cobrir pneus e caixas de água

Lavar com água sanitária, pelo menos uma vez por semana, bebedouros de animais domésticos, inclusive de pássaros

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