Conexão

Uma ação solidária que liga Pelotas a Altamira

Projeto criado por professora pelotense visa a produção de sabão para famílias em vulnerabilidade socioeconômica

Carlos Queiroz -

Em meio à pandemia, uma parceria entre professores do Instituto Federal Sul-Rio-grandense (IFSul) e da Universidade Federal do Pará (UFPA) tem feito a diferença na vida de comunidades em situação de vulnerabilidade econômica. O projeto Multiplicar e Dividir tem como propósito a produção de sabão, que é também repassado para ONGs que realizam trabalhos sociais não apenas em Pelotas, mas também em Altamira, no Pará. Idealizado pela professora de Química do IFSul, Nadja Costa, a iniciativa já distribuiu mais de meia tonelada de barras de sabão.

Lavar as mãos é um hábito de higiene muito comum na vida das pessoas. Prática que ficou ainda mais importante em tempos de prevenção ao novo coronavírus. Professora há 28 anos do IFSul, Nadja percebeu que nem todos tinham a possibilidade de se prevenir de forma eficaz contra a Covid-19. Identificou que a demanda entre os pelotenses era grande, e os produtos não chegavam até a população mais carente. “A gente tá em um momento que as pessoas que têm muito pouco, precisam optar entre comprar um alimento ou comprar um sabão. Obviamente, a escolha será pelo alimento. Mas é importante a prevenção para uma doença tão perigosa como o coronavírus. Isso nos tocou bastante e iniciamos a produção”, explica a professora e idealizadora do projeto. Em Pelotas, a iniciativa realiza doações para a Corrente Beija-Flor e os projetos Seja Solidário e Mãos Voluntárias, Mãos Valiosas. Também participa das ações do Domingo Solidário, organizado pelos magistrados da cidade, e já doou para o Sindicato dos Pescadores da Z-3.

A produção de Nadja é diária. Segundo ela, os pedidos se intensificam a partir de quarta-feira e atendem a uma demanda muito grande. Na iniciativa, ela conta com a ajuda de 11 alunos, que auxiliam na divulgação em redes sociais e no recebimento de doações. “Tive estudantes que acreditaram na ideia. Pela questão do isolamento, não posso reuni-los para fazer sabão. Mas eles colaboram em outras frentes, fazendo logos, explicando a fórmula e divulgando o projeto”, destaca. Além das barras, também são entregues máscaras para quem recebe as doações.

O nome da iniciativa também não foi escolhido por acaso. Os procedimentos necessários para a confecção das barras de sabão é, justamente, de multiplicação. Entre os compostos químicos, a professora optou por não utilizar óleo soda, justamente para democratizar o conhecimento e possibilitar que qualquer pessoa possa fazer em casa. “Realizamos uma verdadeira multiplicação do sabão. Pegamos 18 barras e multiplicamos em 90. Produzimos sabão cheiroso, que protege muito e ajuda a cobrir esta demanda tão necessária. Além das barras, queremos multiplicar o conhecimento. O primeiro passo, logo no começo do projeto, foi produzir conteúdos simples, com imagens e explicações, para que as pessoas também consigam fazer em casa”, aponta Nadja. A fórmula utilizada pela professora está disponível no Facebook, onde também é possível acompanhar as ações da iniciativa.

Conexão com o Pará

Uma das ex-alunas de Nadja é professora na UFPA. Ao acompanhar o trabalho da antiga professora em Pelotas, teve interesse no projeto. As duas conversaram para encontrar maneiras de distribuir sabão para as populações em situação de vulnerabilidade no Pará, que também sofre de forma grave com a Covid-19. Uma parceria foi fechada e as produções no norte brasileiro foram iniciadas. “O sabão é distribuído para pessoas que precisam muito lá no Pará. Populações ribeirinhas, indígenas, entre outros grupos. Na semana passada, fizeram uma entrega na aldeia Tucamã. Foram necessários seis dias de barco para realizar a entrega. Isso me deixou bastante feliz, porque a ideia é multiplicar e dividir não apenas o sabão, mas também o conhecimento”, declara a professora. Algumas remessas feitas pela UFPA já foram repassadas para Maputo, capital de Moçambique, na África.

Como ajudar?

O projeto conta com o auxílio do IFSul, que realiza a doação de álcool. Entretanto, são aceitas entregas deste insumo. A iniciativa também arrecada sabão glicerinado, justamente porque protege as mãos, e açúcar, que ajuda a não ressecar. Para viabilizar doações, são várias as possibilidades. É possível encaminhá-las através do telefone (53) 99153-2002 ou deixar os insumos na portaria do IFSul Campus Pelotas, situado na Praça 20 de Setembro, 455. Também é possível acertar uma doação entrando em contato pela página do Facebook.

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