Empatia

Uma onda de solidariedade

Estabelecimentos do Balneário dos Prazeres formam corrente do bem para ajudar os mais afetados pela pandemia

Carlos Queiroz -

Para cada ação, uma reação de mesma força e proporção. Esta é uma explicação simplificada da "Terceira Lei de Isaac Newton" - um dos principais cientistas da história - e que norteia quase tudo na vida, mesmo que não se saiba disso. Em um sentido figurado, pode-se dizer, então, que uma iniciativa positiva pode ocasionar uma reação também positiva. Neste caso, dois estabelecimentos comerciais no Balneário dos Prazeres mostraram que a teoria é melhor ainda na prática: para cada ação de solidariedade, uma reação de empatia.

A história começou quando o padeiro Valter Bueno de Almeida, 59, decidiu separar alguns pães, folhados e biscoitos para doação. Proprietário da Skina do Pão, padaria situada na praça Aratiba, ele sempre foi reconhecido pelos moradores da localidade por sua generosidade. Mas decidiu ir além, mesmo em uma época onde o controle de gastos ficou ainda maior. "Isso não nos impede de ajudar", comentou.

Todo dia, seu Valter e as filhas, Lidiane e Vanessa, preparam uma mesa solidária, com todo carinho, e a colocam estrategicamente sob a janela do estabelecimento. Devidamente embrulhados, os alimentos ficam disponíveis e livres para as pessoas que passam pelo local. A reportagem presenciou este momento e, poucos minutos depois, Gabriel, de 14 anos, apanhou um folhado.

"Vim pegar um salgado, lá em casa está difícil. Minha mãe está desempregada", contou. Gabriel, que sonha em ser jogador de futebol, é mais um filho de mãe solo, e divide a casa com outros dois irmãos - um de nove e outro de dez anos. "Minha mãe é manicure, faxineira, vende salgados. Mas está difícil pela pandemia. Tem outras famílias como a minha e essa ação é muito importante pra quem mora aqui", disse, expressando-se com um olhar de dor, mas de uma serenidade quase incompatível com sua realidade e juventude.

Vanessa, que é filha de Valter e também funcionária da padaria, diz que um dos motivos que contribuíram para o início da ação foi justamente ter encontrado um menino desmaiado na calçada. Segundo ela, a criança - que tem anemia - estava com fome. "Foi de cortar o coração. Sempre podemos fazer algo pelas pessoas. Esse foi um dos motivos, mas sempre ajudamos. O meu pai tem um coração enorme. A pandemia está sendo dura com as pessoas, que estão com necessidades e sem trabalho. Por mais que possa ser pouco pra nós, é muito para quem está nessa situação".

Corrente do bem

A ação ganhou destaque ao ser compartilhada no Facebook. Em uma das postagens em sua página, mais de 1,5 mil compartilhamentos foram realizados, o que também acabou gerando uma série de outras reações na internet. E também no bairro. A poucos metros da padaria, uma farmácia entrou no clima da solidariedade.

"Nada se cria, tudo se copia", brinca Adriana Fernandes, 50, proprietária da Farmácia da Lagoa. Ao tomar conhecimento da ação dos "vizinhos", a empresária conta que se sentiu contagiada. "Os bons exemplos nós temos que copiar. A gente também passa por dificuldades, mas sempre que for possível ajudar, vamos fazer o que está a nosso alcance", comenta.

Na entrada de seu estabelecimento, há uma caixa com amostras de fraldas para recém-nascidos e crianças, disponível para os mais necessitados. Adriana conta que, durante a pandemia, os pedidos são comuns, mas que muitas pessoas poderiam sentir vergonha. "Um outro dia um rapaz esteve aqui. Ele havia ganhado um bebê e não tinha nada. Até um sapatinho que eu coloquei ali ele levou e ficou feliz. A gente pode sempre ajudar o próximo. Que mais pessoas ajudem e possam seguir copiando esses exemplos".

Ajude!

Ambos os estabelecimentos aceitam doações ou troco solidário. Mais informações pelas páginas:
Skina do Pão: bit.ly/skinadopao

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