Imunização
Vacinação à população vulnerável tem baixa adesão
Ação começou em maio e conta apenas com 186 pessoas em situação de rua imunizadas
Prevista no Plano Nacional de Imunização (PNI) e no Plano Estadual de Vacinação, a aplicação de doses do imunizante contra a Covid-19 em pessoas que vivem em situação de rua em Pelotas começou no dia 18 maio e segue durante este mês. Devido à falta de informações básicas e à realidade enfrentada por muitos integrantes deste grupo prioritário, a resistência está sendo a maior inimiga dos profissionais que buscam oferecer a proteção contra o vírus aos cidadãos em vulnerabilidade extrema.
Com a crise financeira, potencializada pela pandemia, o número de pessoas que vagam pelas ruas mais que dobrou nos últimos meses. De acordo com dados da Secretaria de Assistência Social (SAS), atualmente cerca de 360 pessoas vivem nessa condição. Na cidade, porém, não há registro de óbitos em função da Covid-19 entre pessoas deste grupo. Em relação a casos positivos de coronavírus, não existem dados precisos. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), sintomas como coriza, tosse e febre acabam sendo comuns em função dos hábitos de vida de muitos deste grupo, como o uso de drogas, de tabaco e a exposição ao frio e à chuva por, muitas vezes, não aceitarem acessar os abrigos públicos. Além disso, a rotina pode causar sintomas semelhantes aos da Covid, mas eles acabam não procurando os serviços de saúde para a detecção.
Até ontem, 186 pessoas já haviam sido vacinadas com a primeira dose da vacina de Oxford/Astrazeneca. Entretanto, segundo o projeto Consultório de Rua, que acompanha rotineiramente a saúde deste grupo prioritário, pelo menos 310 cidadãos estariam aptos a receber o imunizante. A procura por estas pessoas, para a execução da ação, está sendo realizada com visitas ao Centro Pop, Casa de Passagem, Restaurante Popular, Albergue Noturno e Terminal Rodoviário. Os responsáveis pela vacinação também circulam pela área central e pelo bairro Fragata, em locais que habitualmente contam com a presença de moradores de rua.
A adesão é baixa devido a um fator, apontado por ambas as pastas como dificultador do processo de imunização: a resistência. Segundo a assistente social apoiadora técnica da rede das Equidades da SMS, Bianca Medeiros, está havendo uma resposta negativa de vários cidadãos devido à falta de informações básicas, como falta de conhecimento a respeito dos benefícios da vacinação e a crença de que a vacina pode originar consequências. "Nossa esperança é que esses que não querem receber o imunizante vejam que os outros estão se vacinando e depois nos procurem", comenta.
Em nota, a SMS ressaltou que não pode obrigar essas pessoas a receberem a proteção contra o vírus e que a aposta tem sido em uma aproximação, a fim de estabelecer uma relação de confiança entre as equipes e público. "Foram realizadas várias ações, como a distribuição de máscaras e álcool em gel, além de os profissionais manterem conversas de orientação quanto à prevenção contra a Covid-19", explica Bianca. Uma nova tentativa está sendo organizada pelo Executivo a fim de alcançar um número total maior de vacinados.
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