Educação

Volta às aulas ainda em diferentes modelos de ensino

Rede municipal estuda implementação do modo híbrido, enquando Estado aposta em maior adesão às salas de aula

Carlos Queiroz -

A próxima semana será marcada pelo retorno das aulas e pelo início do segundo semestre nas escolas municipais, estaduais e nas instituições de Ensino Superior. A avaliação quanto aos números da pandemia e os índices de vacinação em Pelotas estão sendo os principais indicadores para possíveis decisões sobre o futuro. Em um primeiro momento, apenas a rede estadual segue ofertando aulas em modelo híbrido, mas ainda conta com baixa adesão.

Na rede municipal de ensino o retorno do recesso escolar acontece na segunda-feira, ainda de forma remota. De acordo com o planejamento da Secretaria de Educação e Desporto (Smed), as atividades do modelo híbrido, mesclando aulas a distância e também presenciais, estão previstas para serem iniciadas ainda em agosto.

O retorno dos alunos às salas de aula estava previsto para ocorrer neste segundo semestre. Entretanto, a atualização da nota informativa do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) da Secretaria Estadual da Saúde (SES), publicada em junho, bem como a Notificação Recomendatória do Ministério Público do Trabalho (MPT), orientando a especificação de novas máscaras para o retorno das aulas no sistema híbrido no município, levou a Secretaria a mudar os planos. Segundo a prefeitura, foi aberto um novo processo de licitação para a aquisição de 250 mil máscaras dos tipos PFF2 e N95.

De acordo a responsável pela pasta, Adriane Silveira, o Executivo já havia realizado a compra de equipamentos de tecido para professores e servidores, entretanto, para atender as novas orientações, foi encaminhado um novo processo de aquisição dos novos modelos. "Iniciaremos o segundo semestre letivo no dia 2 de agosto no sistema remoto, enquanto aguardamos a chegada dos novos modelos para todos os trabalhadores da educação. É importante ressaltar que, embora não seja obrigatória a distribuição pelo município, os alunos da rede municipal de ensino receberão máscaras de tecido. Tão logo cheguem os materiais, iniciaremos no sistema de ensino híbrido", afirma.

Para confirmar a escolha pela permanência do aluno no sistema remoto ou aderir ao híbrido, uma declaração de responsabilidade foi repassada aos responsáveis no dia 29 de junho. Segundo o Executivo, a escolha pode ser alterada a qualquer momento, através do encaminhamento de um novo documento. Caso seja escolhido o retorno remoto e, após, o responsável decidir passar o estudante para o ensino híbrido, há a necessidade de uma espera de 15 dias, pois a escola precisa se adequar às limitações e protocolos exigidos, visando a quantidade de alunos em sala de aula.

Resistência ao retorno presencial

Embora não haja definição sobre o retorno às salas de aula, os pais ainda estão resistentes quando o assunto é levar os filhos para a escola. A empresária Vânia Holz conta que há um certo temor em enviar o filho de sete anos ao colégio por medo que este não respeite as recomendações, como o não compartilhamento de objetos, e exerça a prática do distanciamento social. "Eu expliquei desde cedo para ele que não poderia levantar da cadeira, não ia poder pedir nada emprestado para os amiguinhos, não ia poder tocar no rosto, ia ter que usar alcool em gel, que não poderia tirar a máscara, e ele mesmo disse que achava que não ia conseguir", conta.

Letícia Moraes, mãe de Lirith, que cursa o primeiro ano do Ensino Fundamental, também defende que a filha permaneça em ensino remoto. "Um dos motivos que nos levaram a essa decisão foi a falta de cuidados que ela tem ao usar a máscara. Por ser pequena ela não consegue se habituar com o uso correto. Outro motivo foi pelo fato de nós, pais, precisarmos nos responsabilizar por qualquer coisa que venha a acontecer durante esse retorno. Pensamos que não temos como nos responsabilizar por coisas que fogem aos nossos olhos, pois não será fácil para os professores cuidarem de cada detalhe e ainda ensinar crianças que estão cheias de energia". Letícia aponta ainda que a filha tem se adaptado ao atual modelo de aula oferecido pelo município, o que pesa na atual decisão.

Rede estadual 

Com retorno das atividades marcado para quarta-feira, a rede estadual seguirá adotando o modelo híbrido de ensino, com aulas presenciais e remotas, por meio da plataforma Google Sala de Aula. A modalidade está permitida pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc) desde o dia 3 de maio, porém no primeiro semestre do ano contava com um baixo número de alunos levados à sala de aula. Segundo a titular da 5ª Coordenadoria Regional de Educação (5ª CRE), Alice Szezepanski, as escolas ainda estão realizando um levantamento para verificar quantos alunos retornarão. "Acredito que o número vai ampliar em virtude da vacinação, os pais estão mais seguros agora". Segundo ela, 24 escolas sob coobertura da 5ª CRE estavam realizando aulas em modelo híbrido, número que aumentou em junho, passando para 35.

Sobre o termo de autorização, Alice explica que as instituições possuem autonomia para adotar ou não o documento. Caso veja como necessário, deve explicar critérios como a utilização de máscara, a negativa sobre a entrada de responsáveis nas escolas e demais tópicos que estas pontuam como primordiais. "A autorização para o aluno ir à escola é tácita no momento em que o aluno vai à escola. Se eu levo meu filho pra aula eu já estou autorizando ele. Não é uma autorização obrigatória padrão do Estado, cada escola tem autonomia de criar sua autorização se achar bem fazer".

Quanto ao monitoramento de casos de Covid-19 em educandários estaduais, juntamente com a volta às aulas será lançado um novo método de controle de diagnósticos, este que passará a ser feito no "módulo gestor" do aplicativo Escola RS, sistema ao qual os gestores da rede já têm acesso, segundo a Seduc. A pasta afirma em nota que estão sendo realizados treinamentos juntos às Coordenadorias, além da disponibilização de materiais de apoio, visando um maior monitoramento e acompanhamento de possíveis positivados.

Universidades seguem em ensino remoto

Recentemente o Conselho Nacional de Educação publicou um parecer com orientações para o retorno às aulas presenciais em todos os níveis de ensino e enfatizou que no caso do Ensino Superior a modalidade remota segue sendo recomendada. Na última semana, as duas principais universidades da cidade publicaram uma nota afirmando que seguirão com ensino remoto ou híbrido.

A Universidade Católica de Pelotas (UCPel) inicia um novo semestre em todos os cursos de graduação na segunda-feira, sendo eles presenciais, semi-presenciais ou EAD, e cursos stricto sensu retornam no dia 9 de agosto. A modalidade de ensino adotada pela instituição segue em sistema híbrido, com aulas teórico-práticas realizadas de forma síncrona, no modelo remoto, e atividades práticas presenciais. Conforme a explica a pró-reitora acadêmica, Patrícia Giusti, a decisão pela manutenção do modelo híbrido leva em consideração as recomendações dos protocolos de biossegurança. "Acompanhamos as decisões e avaliamos as possibilidades de retorno presencial de acordo com as orientações do município e do Estado. Também analisamos o percentual de vacinação com o objetivo de diminuir possíveis riscos à comunidade acadêmica", aponta. A UCPel ainda afirma que seguirá observando a evolução da pandemia na cidade e, no final do ano, fará uma nova avaliação sobre uma possível volta total dos graduandos à sala de aula.

Já a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em nota publicada na última quarta-feira, confirmou o retorno do recesso para o dia 9 de agosto, mantendo o modelo de ensino remoto emergencial, ou seja, realizado de forma online. O calendário está organizado em 15 semanas letivas, sendo que serão oito semanas de atividades remotas. Quanto às outras sete semanas, há possibilidade de abrigarem atividades práticas presenciais para cursos que demandem tais ações, caso as condições sanitárias assim permitam.

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