Solidariedade

Voluntários contribuem para o avanço da vacinação'

Alunos de instituições públicas e privadas de diversas áreas ajudam a depositar esperança nos pelotenses

Carlos Queiroz -

Seja pelo modelo drive-thru, na imunização em escolas municipais ou no prédio da reitoria do Instituto Federal Sul-riograndense (IFSul), a vacinação contra a Covid-19 tem avançado em Pelotas. Até a última quinta-feira, das 112.375 doses encaminhadas ao município,78.580 já haviam sido aplicadas. Desse número, 67.3981 pessoas receberam a primeira dose, 19,7% da população, e 11.183 já foram imunizadas com a segunda dose, ou seja, 3,3% de pelotenses já concluíram o processo. Mesmo que ainda tímida, esta quantidade já representa esperança e só foi possível através do esforço de muitas mãos.

São servidores municipais, alunos de escolas técnicas e universidades, professores e profissionais de instituições públicas e privadas que fazem a imunização acontecer. Muitos são voluntários, em busca de experiência profissional, do diploma na área da saúde, ou simplesmente de ajudar o próximo. Também participam recrutados pela Defesa Civil do município e militares do Exército. Só no drive-thru, por dia, em torno de 120 pessoas contribuem no processo de imunização - a maioria, voluntários. Seja na aplicação das doses, no cadastramento de dados, no apoio à alimentação, na organização ou em outras atividades, sempre há envolvidos nesta engrenagem da vacinação em Pelotas.

Mesmo realizando contratações emergenciais de enfermeiros e técnicos de enfermagem para reforçar as equipes, a prefeitura admite que provavelmente o número de profissionais ainda não seria o suficiente para alcançar os números atuais, o que ressalta a importância dos voluntários. "Com um maior número de colaboradores é possível ter turnos de trabalho, para que o pessoal que vem contribuindo desde o início da campanha também possa descansar", comenta a secretária de Saúde, Roberta Paganini. Além da vacinação contra a Covid, na última segunda-feira iniciou, simultaneamente, a imunização contra a Influenza, exigindo ainda mais profissionais. "Se não fossem os voluntários, o município não teria condições para fazer a vacinação com a excelência que tem feito, com agilidade, pouco tempo de espera e ações simultâneas", finaliza Roberta.

Os voluntários chegam trabalhar dez horas por dia, já que o processo de vacinação começa antes da abertura dos portões. Todos os envolvidos ganham almoço, disponibilizado pela prefeitura. No caso dos estudantes, também recebem horas complementares, necessárias para a conclusão de seus cursos.

A importância dessa ajuda

É na busca por dias melhores que os voluntários recarregam as energias para contribuir nesse processo tão importante que é a vacinação. "Eles (os voluntários) são o braço de tudo. Se envolvem em cada etapa. Dá pra ver a felicidade deles em poder contribuir, pois sabem da importância que eles têm em levar esperança para as pessoas", conta Janaína Machado, 39 anos, uma das organizadoras na vacinação no Centro de Eventos. Enfermeira há 12 anos, ela conhece as dificuldades e problemas enfrentados na saúde pública, principalmente em um momento atípico como o atual. Janaína reafirma que sem a contribuição dos voluntários não haveria condições de avançar tanto na imunização.

A população pelotense é a principal beneficiada com esta ajuda gratuita. Para dona Emília da Luz, de 78 anos, a emoção é dupla. Além de estar tomando a segunda dose da vacina, completando a imunização, sua neta é enfermeira e está contribuindo no drive-thru. "Eu me sinto orgulhosa de ver minha neta ajudando. O momento é de um ajudar o outro", diz. Esperançosa com dias melhores, a aposentada diz que nunca havia passado por nenhuma situação parecida como essa e lamenta que nem todos os lugares estejam avançando na imunização. Ela conta que não vê a hora da pandemia acabar para poder rever seus familiares e reunir todos novamente em casa para o tradicional churrasco do final de semana.

Seu Neri Aires, de 78 anos, também foi no Centro de Eventos receber a segunda dose da vacina. Apesar de preocupado com as mortes causadas pela doença, ele vive - motivado pela vacinação - a expectativa da volta à normalidade pré-pandemica e reforça a necessidade da imunização, lembrando ainda da vacina contra o vírus H1N1, que faz parte do calendário obrigatório, assim como outros imunizantes oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O aposentado também faz questão de destacar o trabalho realizado pelos voluntários. "Eles estão prestando um serviço que é para o bem todos. É muito importante para nós, isso é muito bom", resume.

Por trás da esperança

Celene Rodrigues, 35 anos, é voluntária no drive-trhu. Recém formada, começou a atuar no local em fevereiro quando ainda estudava para ser técnica em Enfermagem e precisava concluir o estágio obrigatório. A emoção em poder ajudar foi tanta que hoje, mesmo já tendo concluído o curso, se voluntariou para seguir colaborando. Sua atividade principal é a vacinação, mas ela também contribui em outras áreas quando necessário. "Eu vi que existia a necessidade de mais gente para trabalhar, porque quanto maior o número de pessoas, maior seria nossa abrangência, agilizando a vacinação na cidade", aponta Celene. Para a voluntária, a maior recompensa é o carinho das pessoas que vão receber o imunizante, além do "sentimento de ter feito a sua parte". A técnica em Enfermagem reforça a necessidade do voluntariado e destaca que ele deveria abranger outras áreas, não somente na vacinação. "A união faz a força e só assim nós vamos conseguir seguir em frente e combater esse vírus", finaliza.

Se pudesse classificar esse momento em uma palavra ou uma frase qual seria? A esperança em tempos melhores.

(Foto: Carlos queiroz 355 ) Prestes a se formar como técnica em Enfermagem, Adriane Vargas, 43 anos, também é voluntária. Mesmo ainda estudante, ela já sabe da responsabilidade que tem nas mãos ao fazer a aplicação do imunizante. Adriane conta que fica emocionada ao pensar que está prestes a se formar na profissão que escolheu e que já está podendo contribuir nesse processo tão importante de auxílio ao próximo. "É como se estivéssemos dando uma segunda chance das pessoas viverem novamente. Quando a pandemia veio, arrasou todo mundo. E quando vacinamos, parece que estamos dando vida para essas pessoas", comenta. Emocionada, ela diz apenas sentir gratidão pela oportunidade de contribuir.

Se pudesse classificar esse momento em uma palavra ou uma frase qual seria? Essa pandemia vai acabar, precisamos ter fé e esperança.

Estudante do curso de Gestão Pública, Bruna Ferreira, 27 anos, atua na parte administrativa. Seu trabalho é coletar os dados das pessoas que recebem o imunizante e adicioná-los em planilhas que controlam a destinação das doses. A voluntária conta que para ela é gratificante poder contribuir. "A gente vê no olhar da pessoa que está vindo se vacinar um olhar de esperança, de vida. É trabalho voluntário, mas nós recebemos isso, que é o melhor pagamento". Mesmo não atuando na aplicação do imunizante, Bruna sabe da importância de sua contribuição. "Tem todo um processo que é essencial até que a vacina seja aplicada", explica.

Se pudesse classificar esse momento em uma palavra ou uma frase qual seria? Esperança e fé de dias melhores

Também prestes a se formar como técnica de Enfermagem, Leticia Kleinicke, 37 anos, revezou seu voluntariado entre a obrigação e o prazer por auxiliar as pessoas. Ela começou a contribuir em função do estágio obrigatório do curso, mas ao ver a necessidade e a importância de sua ajuda, resolveu seguir indo ao local. Quando não está na Centro de Eventos pelo curso, está pelo sentimento de ajuda ao próximo. Seu trabalho é administrativo e também de aplicação das doses. "O que me trouxe aqui é tentar imunizar o mais rápido possível a população de Pelotas, para um futuro com saúde", comenta. Leticia é outra que revela sua gratidão em poder contribuir e lembra de histórias como a de uma idosa que, ao receber o imunizante, contou que estava há um ano sem ver os netos e que aquele momento representava a possibilidade de revê-los, além de conhecer um novo neto que nasceu durante a pandemia. Histórias que, segundo a estudante, são bons motivos que a levam a seguir contribuindo.

Se pudesse classificar esse momento em uma palavra ou uma frase qual seria? Estamos levando esperança ao próximo

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