Estragos

Zona Sul teve quase R$ 4 bilhões de prejuízo pela estiagem nos últimos cinco anos

Dado aparece em painel "Desastres Naturais no RS", iniciativa que detalha incidência de fenômenos naturais e aponta 140 mil pessoas atingidas diretamente

Foto: Pedro Stein - Seca causou R$ 3,9 bilhão de prejuízo em entes privados e R$ 2,9 milhões para entes públicos.

Ao longo dos últimos 20 anos, 496 dos 497 municípios do Estado tiveram registros de algum desastre natural reconhecido. Isso é o que aponta o painel lançado pelo Governo do RS com informações detalhadas sobre a incidência dos fenômenos em cada região. Conforme o panorama, o que mais assola a Metade Sul é a estiagem, seguida pelas chuvas intensas. Somente entre 2017 e 2022 mais de 140 mil pessoas foram atingidas pela seca. Os prejuízos econômicos causados seca alcançaram a ordem de R$ 3,9 bilhão em entes privados e R$ 2,9 milhões para entes públicos. Já as perdas devido às grandes precipitações, a partir de 2018, atingiram 438 pessoas. Ocorrências que, de acordo com pesquisadora da UFPel, tendem a ter maior frequência daqui pra frente.

Dentre os municípios, São Lourenço do Sul foi de longe a mais castigada pela seca, tendo R$ 564,4 milhões de perdas e mais de 19 mil pessoas prejudicadas. Seguido por Pinheiro Machado, que teve R$ 44,1 milhões e 13,5 mil habitantes atingidos. Já pelas chuvas e enxurradas, o número total na região chega a mais de R$ 64,4 milhões.

Desastres naturais na Zona Sul

Estiagem: (entre 2017 e 2022)

Pessoas atingidas: 140.854
Prejuízos econômicos
Privado: R$ 3,9 bilhão
Público: R$ 2, 9 milhão

Chuva intensa: ( entre 2018 e 2022)
Pessoas atingidas: 438
Habitações danificadas: 219
Prejuízos econômicos
Privado: R$ 50,6 milhões
Público: R$ 11,5 milhões

Denominado Desastres naturais no Rio Grande do Sul, o painel apresenta informações sobre os fenômenos por área de atuação das coordenadorias regionais da Defesa Civil com dados do período entre 2003 e 2022. O usuário pode consultar de forma detalhada informações sobre os registros em cada municípios e o número de incidência de cada desastre em bit.ly/painel-desastres. De acordo com a secretária de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), Danielle Calazans, além de informar a população sobre a situação da sua região e as consequências dos eventos, a ferramenta também dará suporte à elaboração de políticas públicas mais eficientes. "O governo do Estado estimula a população a ser um agente ativo para a transformação social", diz.

Evento que mais atinge o RS
Conforme os dados do painel o evento que mais causou prejuízos no estado foi a Estiagem e seca, com mais de 80% do total. Entre 2017 e 2022, os prejuízos econômicos contabilizados ficaram em R$ 39,1 bilhão, sendo 3,9 milhões de pessoas atingidas.

Frequência dos desastres e preparação
As mudanças climáticas ocasionadas pelo aquecimento global, assim como no restante das ocorrências e diversos pontos do planeta, são as causas dos desastres que atingem o Rio Grande do Sul. Conforme aponta a coordenadora do programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Diuliana Leandro, seguindo o ritmo atual de degradação ambiental a tendência é que os fenômenos climatológicos e meteorológicos tenham intensidade e frequência cada vez maior. "Há um década atrás, ocorria um evento e passavam dois ou três anos sem ocorrer novamente, essa frequência aumentou significativamente", diz.

A pesquisadora explica que a seca tem o movimento de ser uma incidência anual no estado e que neste sentido é de suma importância que as administrações públicas preparem com mais eficiência medidas de mitigação voltadas, principalmente, às populações de áreas rurais. "Está chegando mais um verão e estiagem e ainda não se tem todos os açudes implantados", diz sobre as iniciativas de construção das barreiras artificiais nos municípios mais atingidos.

Já sobre os fenômenos como chuvas intensas e enxurradas, Diuliane destaca que é necessária a criação de uma cultura de prevenção para minimizar os impactos à população. Como diferente da estiagem, não há métodos de previsão desses eventos com um grande período de antecedência, as pessoas têm que possuir informações suficientes para que possam identificar o surgimento e as causas desses tipos de desastres naturais. "O importante é a comunidade se preparar para essas ocorrências, chegamos num ponto que precisamos nos adaptar". A pesquisadora argumenta que ações simples como a de conscientização podem diminuir a quantidade de perda de vidas e prejuízos econômicos.


Carregando matéria

Conteúdo exclusivo!

Somente assinantes podem visualizar este conteúdo

clique aqui para verificar os planos disponíveis

Já sou assinante

clique aqui para efetuar o login

Colégios Tiradentes da BM abrem inscrições para processo seletivo 2024 Anterior

Colégios Tiradentes da BM abrem inscrições para processo seletivo 2024

Servidores municipais da Zona Sul são capacitados para fiscalização de serviços públicos Próximo

Servidores municipais da Zona Sul são capacitados para fiscalização de serviços públicos

Deixe seu comentário