Escuridão
Zona rural de Pelotas segue sem luz
Desde o final de semana moradores da colônia enfrentam a falta de energia elétrica; CEEE diz que falta restabelecer o serviço em 1,4 mil pontos
O temporal da madrugada de sábado para domingo causou estragos na zona urbana e rural de Pelotas, como alagamentos, queda de árvores e falta de energia elétrica. Mais de 24 mil clientes da CEEE ficaram sem luz em suas casas, desde os pelotenses até moradores dos outros dez municípios da região atendidos pela Companhia. Até terça-feira (29), cerca de 1,4 mil residências ainda aguardavam pelo reestabelecimento da energia, em maior peso, nos distritos da Colônia de Pelotas.
No 1º Distrito, nas regiões da Colônia Ramos, Cantini e no 7º Distrito, no Rincão do Andrade, as quedas de energia têm se tornado ocorrência comum em dias de chuva, ventania e até mesmo aqueles com mudanças climáticas pequenas, como ventos de poucos quilômetros/hora. Gerente de uma empresa que trabalha com mudas frutíferas, Ricardo Persch conta que os moradores se sentem desamparados. “Não é algo isolado porque não precisa vir um vendaval forte pra não ter luz. As autoridades municipais em nada nos ajudam, a prefeitura nunca buscou nos apoiar na questão de energia elétrica”. Desde sábado até a madrugada desta terça ele estava sem luz em casa.
Quando isso acontece, é preciso ativar um gerador. Mas o custo tem um impacto significativo e pesa no bolso. “Hoje em dia tudo gira em torno da eletricidade. O gerador dá conta, mas só até ali. Cada dia que preciso usar acabo gastando entre 200 litros e 300 litros de óleo diesel”, contou. Para Persch, acionar o gerador custa cerca de R$ 1 mil a mais nas contas do mês. Nesses casos, o equipamento precisa ser usado para manter a irrigação das mudas frutíferas, faça chuva ou faça sol.
Além do transtorno financeiro, a falta de energia provoca mudanças na rotina e, consequentemente, um estresse. “Acaba que não conseguimos tomar banho direito, ficamos preocupados com o que tem na geladeira. Muitos vizinhos daqui dependem das carnes armazenadas em freezer. É um estresse muito grande”, frisou.
Quem também precisa utilizar um gerador de energia é Moisés Greinke, produtor rural que trabalha no ramo de leitaria e hortifrutigranjeiros. Se não fosse pelo equipamento, todo leite em reserva seria colocado fora, já que também estava há dois dias sem luz em casa. Ele mora na colônia há mais de 30 anos e lembra que o problema não é recente. “Nós já temos esse problema há muitos anos, durante um tempo ele melhorou e agora está assim de novo”, recorda-se.
A frequência das quedas de luz é tanta que, quando a previsão está marcando temporal, alguém da família fica de prontidão em casa, para ligar o gerador caso seja necessário. “É um descaso. Nós pagamentos a conta em dia e muitas vezes não é nada barato, quando precisamos temos dificuldade até que atendam o telefone”, ressaltou o produtor rural.
Mais de 1 mil ainda sem energia
De acordo com informações da CEEE, a Companhia trabalha para restabelecer os pontos sem energia. Desde o momento das quedas são priorizados os atendimentos aos serviços essenciais, como hospitais, e os pontos que atendem o maior número de pessoas. A expectativa é que os pontos sem energia na zona rural sejam restabelecidos ainda nesta quarta.
Um dos problemas que leva ao custoso tempo de chegada das equipes de trabalho à colônia é o difícil acesso de muitos dos postes. Como explicou o assistente da gerência regional Sul da Companhia, Jonatas Rosa, muitas vezes a vegetação atrapalha a chegada aos postes. A recomposição das redes também é demorada e, na zona rural, cada processo pode beneficiar cerca de cinco clientes, por isso o tempo é ainda maior.
Até então, a CEEE quantificou que 40 postes de energia foram trocados em toda região por conta do temporal da madrugada de sábado para domingo. Além da troca de 246 transformadores e outras 260 chaves de fusíveis.
Chuva deve voltar à região
O tempo ruim deve retornar à região de Pelotas nos próximos dias, o que pode provocar novamente quedas de energia. De acordo com a previsão do Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), chuvas isoladas devem começar a ocorrer a partir desta quarta. Na quinta-feira, novas tempestades podem surgir no Rio Grande do Sul, podendo trazer muitos relâmpagos, chuva forte e rajadas de vento, conforme o último boletim do órgão.
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