Nathália Barreto
"Se precisar, peça ajuda!" - O amarelo vai além do mês de setembro!
Nathália Barreto
Médica Psiquiatra, membro da Associação Médica de Pelotas
Estamos nos últimos dias do mês dedicado à campanha de prevenção ao suicídio Setembro Amarelo, que é a maior campanha anti-estigma do mundo, cujo tema deste ano é "Se precisar, peça ajuda!".
A história por trás da campanha inicia com Mike, um jovem de 17 anos que se suicidou em 1994 e, devido a todo o carisma que tinha junto à família e à comunidade, motivou o início de uma distribuição de cartões com fitas amarelas (cor do carro do rapaz, um Mustang) contendo a mensagem "Se precisar, peça ajuda!". Os cartões acabaram chegando a muitas pessoas que precisavam de ajuda e as motivaram a ir em busca, evitando, assim, um maior adoecimento mental e, consequentemente, outros casos de suicídio. Esse ato simples e simbólico ganhou força e se tornou uma campanha global, sendo oficialmente adotada no Brasil a partir de 2014 e tendo o dia 10 de setembro como Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.
A essência do Setembro Amarelo é a prevenção. É um mês dedicado a lembrar a todos nós que podemos desempenhar um papel fundamental na prevenção do suicídio e no cuidado com a saúde mental própria e das pessoas com quem convivemos.
O primeiro passo na prevenção é o conhecimento. É muito importante que o leitor saiba que aquelas pessoas que mais fazem tentativas de suicídio são as que mais terão chances de completar o ato e morrerem. Precisamos dar suporte e estar atentos às mudanças no comportamento dessas pessoas (por exemplo: ficarem mais isoladas, entristecidas ou irritadas). Famílias que têm algum familiar que completou o suicídio também devem ficar atentas aos seus parentes e devem buscar ajuda o mais rápido possível quando algum dos membros tiver alterações persistentes no comportamento ou humor, como sinais de depressão, ansiedade intensa ou uso de drogas. E, por último, os estudos nos mostram que o suicídio é uma das principais causas evitáveis de morte, já que quase 100% dos casos ocorrem em pessoas que tinham um transtorno mental possivelmente sem um tratamento efetivo na época em que morreram
O tabu em torno das questões de saúde mental deve ser quebrado. Incentivar conversas abertas e acolhedoras sobre sentimentos e dificuldades é crucial. Devemos criar espaços onde as pessoas se sintam à vontade para compartilhar suas preocupações. E quando houver a suspeita de pensamentos suicidas, pode-se perguntar se a pessoa está tendo pensamentos de morte, por exemplo; perguntas mais genéricas dão abertura para que a pessoa se sinta segura para falar em mais detalhes o que sente e pensa e, posteriormente, conseguir responder perguntas mais específicas quanto à falta de vontade de viver.
Buscar ajuda de um profissional de saúde mental é um passo fundamental na prevenção e tratamento dos transtornos mentais. Sempre que houver sofrimento mental persistente é importante que a pessoa passe por uma avaliação profissional criteriosa para definição da necessidade ou não de alguma forma de tratamento. O ideal é buscar serviços de saúde ou consultórios particulares onde trabalhem profissionais médicos, médicos psiquiatras, psicólogos ou equipes de saúde mental treinadas, como é o caso dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Além de auxiliar amigos e familiares, devemos cuidar de nossa própria saúde mental. A prática regular de atividade física, manter uma alimentação saudável, ter rotina adequada de sono, evitar o uso de álcool e drogas e buscar atividades de lazer e descanso são formas cientificamente comprovadas de fortalecer a resiliência e diminuir o risco de adoecimento mental e gravidade de sintomas. Ter uma rede de apoio e relacionamentos estáveis com amigos, familiares, cônjuge e colegas desempenha um papel vital na prevenção, faz com que as pessoas tenham motivos para viver e tenham mais chances de receber cuidado e apoio quando precisam.
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