Marcelo Oxley

O Laranjal de quem visita não é o mesmo de quem mora

Marcelo Oxley
Jornalista e empresário
marceloesporteucpel@yahoo.com.br


Foi em 1998 que meu pai optou por morar no Laranjal. Me contava com entusiasmo o quão a sua calmaria refletia em dias melhores, uma paz jamais sentida. Não estava equivocado. O Laranjal é uma espécie de paraíso que vem sumindo por sua baixa infraestrutura e desrespeito às belezas naturais.

Mesmo depois de quase 25 anos e percebendo que muitas coisas mudaram para melhor, jamais esquecerei de suas palavras quando dizia que iria visitá-lo: "filho, não venha hoje, pois com esse calor não há água e os antigos buracos aqui da rua não estão perdoando. Se mesmo assim resolveres vir, não esqueça que nossas praias seguem impróprias para aquele banho que tanto gostas e, se chover, como anteontem, ficaremos às escuras; lembre-se que chuva está intimamente ligada à falta de luz".

Parece mentira que ainda enfrentamos situações que refletem diretamente no desenvolvimento de nossas praias. Não devemos esquecer que "culturalmente" entendemos o Laranjal de sua ponte até aonde Deus permitir.

Se você entrar na Câmara de Vereadores não verá um único vereador identificado ou que pelo menos lute por nossas praias. Todavia, em época de campanha, principalmente aos domingos, se aglomeram pelo calçadão pedindo votos. Descobri que na política o "egoísmo" é ferramenta muito utilizada, infelizmente. Por lá, existem representantes de outras localidades que também necessitam de cuidados, mas para o Laranjal não estamos nem perto de sermos bem servidos.

Os pedidos de melhorias são em vão. Nem mesmo nosso governador, o pelotense Eduardo Leite, o qual apreciou belo festival de música no litoral semanas atrás, mais especificamente em Xangri-lá, estendeu suas mãos em todos esses anos de governo. Aliás, a falta de atenção com sua cidade é notória, mas acreditamos que possa se redimir. Caso ele não saiba, a Prefeitura de Pelotas tem realizado na orla belos festivais e atrações. Talvez não estejamos ao nível de um Planeta Atlântida, mas há ótimas opções, com excelentes profissionais.

Como se já não bastassem os problemas históricos, acrescentaremos mais um: a dúvida sobre as condições da ponte sobre o arroio Pelotas. O que me chamou atenção é a forma encontrada em solucionar os buracos. Ou há muita incompetência ou existe algo mais que a Prefeitura deve estar ciente e pronta para resolver. Milhares de carros trafegam por ela, inclusive o da prefeita, e não gostaríamos de noticiar uma tragédia. É preciso urgentemente uma posição dos órgãos responsáveis. Se a gestão entender viável um mutirão, gostaria de estender o pedido e que, por favor, retirem aquele amontoado de ferros na rótula. Aproveitem e, por obséquio, iluminem dignamente o local. Façam algo bonito, apresentável.

O Laranjal, a cada ano que passa, ganha novos moradores. A árdua carga de trabalho, trânsito e a"correria" fazem com que se busque lugar tranquilo para viver e o Laranjal assim é visto. Todavia, é necessário e inteligente que a infraestrutura seja atualizada cotidianamente. Uma praia que tinha dez, 20 mil moradores, hoje com quase 40 mil, precisa estar mais moderna e atenta à população.

O Laranjal é lindo em qualquer análise: moradores, viajantes, curiosos e turistas são unânimes. O que a Prefeitura deve entender é que, passado o verão, seus residentes ainda estarão por aqui pagando taxa de IPTU de dar inveja. A praia carece de transporte coletivo mais digno, com mais oferta de horário. Precisa de posto de saúde que não alague com a chuva. Queremos estar seguros após a Operação Golfinho. Gostaríamos de balneabilidade. Mas a balneabilidade real e não aquela de 30 em 30 metros. Que excelente seria um hotel na orla. Quem sabe parceria da Prefeitura com algum investidor (PPP)?

Existe um leque de ações para que o Laranjal cresça e saia deste limbo. Basta que os responsáveis não o vejam apenas no verão e que também não transmitam essa mensagem aos turistas. Todo o Laranjal precisa de mais carinho…

Carregando matéria

Conteúdo exclusivo!

Somente assinantes podem visualizar este conteúdo

clique aqui para verificar os planos disponíveis

Já sou assinante

clique aqui para efetuar o login

Anterior

A metafísica dos contrários

Próximo

Eduardo e os pés da Princesa

Deixe seu comentário