Opinião

Os efeitos da concessão de serviços públicos de energia elétrica sem um modelo de gestão sustentável

Gerson Cardoso Pinto
Bacharel em Administração

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) "falha feio" quando estabelece como prioridade os indicadores econômico-financeiros para a concessão dos serviços de distribuição de energia elétrica. Sem considerar o modelo de gestão que a concessionária traz consigo, corre-se o risco de precarização dos serviços prestados a curto prazo. É por intermédio do modelo de gestão que a concessionária indicará para a sociedade quais os rumos que serão tomados na operação do sistema elétrico, a médio e longo prazo, tanto no que concerne aos investimentos em expansão e melhorias como na manutenção das redes e principalmente na formação e retenção do capital intelectual necessário para gerir o sistema com segurança, competência e agilidade.

Ao ignorar um modelo de gestão sustentável, elegendo os indicadores econômico-financeiros como carro chefe, a Aneel sinaliza ao mercado um caminho aberto para financistas e especuladores que vislumbram lucro fácil em um setor monopolizado.

Um modelo de gestão compatível com a tarefa de gerir um setor vital para a sociedade começa com uma visão técnica dos processos operacionais, sem obviamente menosprezar o capital, afinal vivemos num sistema capitalista. O risco, no entanto, está na inversão dessa lógica que tende a dominar a distribuição de energia no País.

Num setor altamente regulado, em que a Aneel acredita que a legislação por si só garantirá a competência das distribuidoras por decreto, o dogma de que "a concessionária administra como quer o seu negócio" , desde que atenda o contrato de concessão, tem se mostrado prejudicial a toda a sociedade, principalmente em momentos de crise. Tratar setores de infraestrutura como produtos de mercado, seguindo a cartilha neoliberal, tem potencializado esses riscos. Com a possível normalidade dos eventos climáticos severos, o que se espera é que a Aneel reveja seus conceitos e entenda que é preciso muito mais do que simplesmente capital financeiro para gerir uma distribuidora de energia. Que as lições sejam aprendidas e os modelos aprimorados para garantir a segurança e o bem estar da sociedade.


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