Opinião
Porque a mídia e o governo insistem em falar mal do agronegócio?
Por Eduardo Allgayer Osorio
Engenheiro Agrônomo, Professor Titular da UFPel, aposentado
Em 2022 a balança comercial brasileira fechou superavitária, com um saldo de 62 bilhões de dólares. Mas, olhando cada setor separadamente vê-se que o agronegócio exportou 159 bilhões e importou 17 bilhões, com um saldo positivo de 142 bilhões enquanto os demais setores somados exportaram 176 bilhões de dólares e importaram 256 bilhões, produzindo um saldo negativo de 80 bilhões, levando a concluir-se que, sem as exportações do agro a balança comercial brasileira teria fechado altamente deficitária e estaríamos caminhando para o fundo do poço, como os nossos vizinhos Venezuela e Argentina.
Neste contexto em que o agronegócio surge como o "salvador da pátria", a pergunte que não cala é: Por que a grande mídia e o governo federal insistem em demonizar o agro?
Inquirido sobre essa questão, o agrônomo Francisco Graziano respondeu: "Nossos antigos historiadores tinham formação de esquerda, todos marxistas, como o Caio Prado Júnior e o Alberto Passos Guimarães e também os romancistas, como o Jorge Amado, que sempre trataram o agro sob o ponto de vista da luta de classes, onde os fazendeiros eram os malvados e os trabalhadores do campo eram os coitados. Hoje o agro não tem mais isso, é moderno e tecnológico, mas os livros antigos ainda influenciam os livros das crianças, como se estivéssemos no século passado, escravagista e latifundiário. Condenam as grandes cadeias produtivas e defendem o pequeno agricultor, dizendo que deveríamos voltar à época em que quem produzia eram eles, numa visão antiga, atrasada e preconceituosa, defendida por uma elite que frequenta restaurantes finos, paga caro por produtos orgânicos e acha que todos podem viver como eles, fora da realidade". Esses senhores ignoram que a agricultura brasileira deu um salto de qualidade, promovendo uma revolução tecnológica, inclusiva, eficiente e sustentável. Usa máquinas autônomas controladas remotamente via satélite. Emprega sensores para a coleta de dados da fertilidade do solo, das variáveis climáticas e da incidência de pragas, doenças e ervas daninhas visando a redução do consumo de água, de fertilizantes, dos pesticidas e herbicidas. Usa avançados softwares para o gerenciamento, monitoramento e controle das práticas agrícolas, otimizando a tomada de decisão, a redução dos impactos ambientais e a rastreabilidade dos produtos.
Mas o Xico Graziano se consola ao constatar, em suas andanças pelo Brasil, "que a população geral fala bem do agro; quem fala mal é uma elite que acha que o leite faz mal, que comer carne é errado e que estamos envenenando todo mundo, um monte de gente negacionista que tem o respaldo da mídia".
Pelas projeções de aumento da população mundial, em 2050 teremos nove bilhões de bocas para alimentar, estimando-se que para isso a produção agrícola precisará aumentar pelo menos 60% em relação aos níveis atuais, devendo o Brasil assumir o papel de principal protagonista nessa tarefa. Mas não será plantando com arado puxado a boi, capinando as lavouras com enxada e deixando de aplicar defensivos agrícolas para proteger os cultivos que atenderemos esse enorme desafio.
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