Polêmica
Vereador de Pedro Osório é acusado de chantagear lar de idosos
Claudio Caldas, do MDB, teria cobrado a recontratação de profissionais
Foto: Divulgação - Câmara Municipal - Claudio Caldas (MDB) nega as acusações
O vereador de Pedro Osório Claudio Caldas (MDB) é acusado de chantagem por diretores do lar de idosos São Francisco de Assis. Ele teria proposto 'colocar uma pedra' sobre supostas irregularidades da instituição denunciadas por ex-funcionários caso eles fossem recontratados. A chantagem teria sido feita em 16 de agosto durante reunião com quatro diretores da instituição. O presidente do lar, Pedro Ferreira, encaminhou um ofício à Câmara de Vereadores narrando os fatos e notificou o Conselho Regional de Enfermagem. O caso também foi levado ao Ministério Público.
O documento enviado pela instituição foi lido em sessão da Câmara de Vereadores na semana passada. O texto afirma que Caldas teria conhecimento de irregularidades, mas não encaminhou a denúncia às autoridades competentes em troca da recontratação dos dois profissionais. No texto, a direção do Lar diz que o vereador "vem tentando prejudicar o andamento de nossa instituição, chantageando e ameaçando nossa diretoria" e que "buscou em seu benefício eleitoreiro a recontratação de funcionários anteriormente demitidos".
As denúncias incluem irregularidades trabalhistas, falta de equipamento de proteção individual para os trabalhadores, falta de técnicos de enfermagem, psicólogo e fisioterapeuta, alimentação inadequada e falta de higiene. Ao MP, o Lar apresentou um documento negando parte das acusações e dizendo ter tomado providências sobre outros problemas.
Na mesma sessão, o vereador disse que participou de reuniões com trabalhadores de instituições e que teve acesso a provas de ao menos 29 irregularidades. Com isso, ele teria solicitado uma reunião com os diretores da instituição, em que lhe foi pedido um prazo de 15 dias para analisar a situação, mas não obteve resposta. "Onde tem dinheiro público, tenho o direito, dever e obrigação de fiscalizar", disse, sem mencionar as acusações de chantagem.
Após a repercussão do caso, o vereador discordou do teor do ofício enviado à Câmara e negou qualquer prática ilícita na sessão desta segunda. "Estou tomando as medidas cabíveis ao caso, mediante as graves ofensas sofridas", disse, classificando a denúncia como injusta.
O advogado Roberto Virissimo, que representa Caldas, diz aguardar a averiguação das denúncias pelos órgãos competentes e que o vereador "apenas fez uso de suas prerrogativas e obrigações outorgadas por seu mandato", já que as denúncias aparentavam ser graves.
O presidente do Lar São Francisco de Assis, Pedro Ferreira, nega que haja irregularidades trabalhistas, e diz que a instituição passa por frequentes fiscalizações. Ele afirma que há sim problemas, mas que a instituição busca recursos para melhorias. "Eu só fui me dar conta no outro dia de que ele estava nos chantageando, nos pedindo pra recontratar as funcionárias", diz. Segundo Ferreira, foi a própria instituição que encaminhou as denúncias ao Ministério Público, acompanhada da acusação sobre a chantagem.
O presidente da Casa, Betinho Amaral (MDB), disse que a Câmara vai apurar o caso. "Esta Casa não vai se ausentar daquilo que compete a ela". Ao Diário Popular, Amaral disse que está sendo avaliado o formato de apuração do caso, que pode ser, por exemplo, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ou um processo disciplinar na comissão de ética da Casa.
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