Lipedema

Conheça e saiba como tratar a doença marcada pelo acúmulo de gordura

Apesar de afetar mais de 11% das mulheres brasileiras, o lipedema ainda é pouco conhecido, o que resulta em falta de diagnóstico ou em diagnósticos incorretos

Fotos Divulgação - DP - Doença afeta principalmente as mulheres e é mais comum nos membros inferiores, mas também pode ocorrer nos membros superiores e, em casos raros, em áreas como abdômen, rosto e axilas

Uma doença crônica e progressiva de principal causa genética, que envolve inchaço e o acúmulo anormal de gordura, principalmente nas pernas, quadris e em alguns casos, também nos braços. Essa condição médica afeta predominantemente mulheres e geralmente tem início na puberdade, podendo agravar com o passar dos anos. Essa condição provoca um acúmulo anormal e progressivo de gordura nessas áreas, resultando em aumento de volume e manifestação de sintomas específicos e doloridos.

Muitas vezes a doença pode ser confundida com obesidade ou excesso de peso, porém é uma condição distinta e, caso não seja tratada de maneira correta, pode trazer consequências sérias para a saúde do paciente, conforme explica Camila Killa, cirurgiã vascular e especialista em varizes e lipedema. “É muito comum essa confusão, porque várias pacientes em estado avançado estão obesas ou com sobrepeso. Importante lembrar que ambas são doenças crônicas que precisam de acompanhamento e tratamento de perto. Quando surgem os primeiros sintomas, existe a tendência que eles aumentem ao longo da vida, principalmente se a pessoa mantém um estilo de vida que não é saudável. Então é muito importante conhecer bem esse paciente e identificar como é o estilo de vida para poder ajudar a reduzir esse acúmulo de gordura que pode desencadear muitas doenças”, salienta Camila.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença afeta quase exclusivamente mulheres. Cerca de 11% das mulheres têm lipedema em todo o mundo, o que é o equivalente a 500 milhões de pessoas com
a patologia.

Quando o lipedema vai ganhando intensidade, outros sintomas também podem ser notados e estes também reduzem o bem-estar do paciente com o avançar da patologia.

Sintomas
Camila explica que os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, mas o relato mais comum dos pacientes, em sua maioria mulheres em idade adulta, são de incômodos referente a dor e sensibilidade. A área afetada pela condição fica dolorida e sensível ao toque e essa dor pode aumentar acompanhando a progressão do inchaço.
Outro sintoma bastante relatado é a desproporção dos braços ou pernas em relação ao tronco devido ao acúmulo de gordura. Com o tempo, por causa dos depósitos de gordura, faz com que a pressão nos tecidos também aumente, contribuindo para ocasionar dor.

Outros sintomas são uma maior tendência a desenvolver hematomas – mesmo com impactos leves ou até mesmo sem ocorrer batidas –, problemas circulatórios, rigidez e limitação de movimento. Em casos avançados, o acúmulo de gordura, o inchaço e dor nos joelhos podem afetar severamente a mobilidade, tornando a realização de atividades diárias e rotineiras mais difíceis. “Mas existem outros sintomas que influenciam de forma muito negativa na qualidade de vida, como a dor, aquela sensação de peso na perna, de perna inchada, um aspecto de retração na pele que fica parecendo e que algumas vezes é confundido com celulite”, explica Camila.

Por estes motivos, é importante observar que os sintomas do lipedema podem ser contidos mediante o tratamento adequado. E, caso não ocorra, o pode trazer uma piora e a progressão para outras doenças cardiovasculares, procurar diagnóstico tão logo seja possível é imprescindível. “Nós conseguimos no exame físico diferenciar se a gordura da perna é do lipedema ou se é associada a obesidade, além de outros exames como por exemplo a bioimpedância, em que se avalia a composição corporal, estimando a massa magra, gordura corporal, água corporal total, entre outros dados que proporcionam informações mais precisas sobre o estado nutricional do paciente”, esclarece a especialista.

Tratamento
Segundo Camila, é possível regredir o quadro do lipedema com o tratamento clínico que envolve a mudança de estilo de vida e, assim, adotando uma rotina mais saudável, incluindo exercícios físicos regulares e uma boa alimentação, além de procedimentos para controlar os inchaços e melhorar a circulação sanguínea.

“É importante adotar uma dieta saudável, menos inflamatória, com realização de atividade física também. Qualquer tipo, não tem restrição, mas de preferência que aumentem a massa muscular, como musculação e funcional. A drenagem linfática também é extremamente importante para aliviar o sintomas de peso nas pernas, assim como a compressão com meia elástica. E, quando necessário, prescrevemos medicações orais para ajudar o corpo a esfriar esse processo inflamatório da gordura da perna e medicações injetáveis também são possíveis.”

Segundo a nutricionista Samanta Kill, os pacientes diagnosticados com lipedema devem realizar dieta que, na maioria das vezes, causa impacto da redução de peso e, por consequência, redução do inchaço dos membros, além de ter grande benefício por ser procedimento natural e sem contraindicações. Segundo ela, em alguns casos evita o uso de medicações anti-inflamatórias, além de, durante o preparo para início da dieta, ser possível conhecer um pouco mais das questões nutricionais do paciente, restrições, alergias e intolerâncias que muitas vezes nem são de seu conhecimento. “O mais indicado é a chamada dieta low carb estratégica, ou seja, reduzir o consumo de alimentos inflamatórios que são encontrados na farinha branca, laticínios, álcool e gorduras saturadas. Além disso, em muitos casos é necessário realizar também o teste de intolerância alimentar para mais de 221 tipos de alimentos do dia a dia, os quais podem contribuir para início ou piora do lipedema”, explica.

Além do acompanhamento nutricional, é essencial o tratamento de outras patologias, como por exemplo as associadas com varizes e pressão alta, para assim evitar possíveis complicações.

Tem cura?
Apesar de estar relacionada a fatores hereditários e hormonais, a doença ainda não tem causa definida e, logo, também não tem cura. Mas existem diversos procedimentos e terapias capazes de aliviar os sintomas e controlar a evolução da doença, impedindo desta forma o surgimento de complicações e até a falta de mobilidade. E foi justamente essa melhora em apenas um mês que Elair Timm, 55, pôde perceber em seus membros inferiores, que eram os mais acometidos pelos sintomas.

“Antes me sentia muito cansada, não desinchava nunca minhas pernas e estava com muito peso. Senti que precisava fazer algo por mim. Meus tornozelos doíam muito, foi quando procurei o tratamento. Hoje em dia minhas pernas não doem mais e me sinto mais disposta, com mais energia para caminhar. Me sinto muito melhor.” Elair, comenta ainda que o tratamento é totalmente indolor e que o mais desafiador foi a mudança de hábitos alimentares. Porém, afirma que é visível nos resultados a importância de manter uma boa alimentação, conforme o prescrito. “O tratamento é bem tranquilo, o que é difícil é fazer dieta. Mas eu até comentei com a minha família que, se é para minha saúde, vou seguir fazendo.”

Algumas opções que podem ser adotadas, em paralelo à mudança do estilo de vida, são o uso de meias de compressão para reduzir o inchaço e também a drenagem linfática. Em alguns casos, quando nenhuma das opções retardam ou melhoram os sintomas da doença, pode ser possível a indicação de procedimento cirúrgico para remover o excesso de gordura e, assim, aliviar os sintomas. Segundo a especialista, o tratamento clinico é o padrão ouro, sendo bastante indicado e com bons resultados. Porém, quando isso não ocorre, a orientação é que o paciente realize a lipoaspiração. Mas a médica ressalta que não é a primeira opção, assim como também não é recomendada para todos.

“A cirurgia só é indicada quando a paciente já fez o tratamento clínico e não apresentou melhora ou quando tem um volume de perna aumentado que atrapalha a qualidade de vida, que pode causar uma deformidade articular ou evita que tenha felicidade do ponto de vista estético. Ou, ainda, que os sintomas mesmo com tratamento clínico ainda estejam incomodando a paciente. Aí sim, nesses casos, a cirurgia é indicada porque vai extrair esse tecido gorduroso que está em excesso e vai aliviar os sintomas.”

A médica ressalta ainda que, mesmo nos casos cirúrgicos é necessário manter o acompanhamento do tratamento clínico, preferencialmente com uma equipe multidisciplinar que pode ser composta, além do cirurgião, de profissionais como endocrinologistas e nutricionistas que darão o suporte para manter a dieta anti-inflamatória, atividade física e, em alguns casos, uso de medicamentos específicos para a doença.

“Essa lipoaspiração é sempre feita com tecnologia com retração de pele, já que a gente vai aspirar o tecido gorduroso e vai haver uma sobra de pele. Então é preciso fazer uma retração e, mesmo após a lipoaspiração, precisa continuar fazendo o tratamento clínico para essa gordura não voltar porque a taxa de recidiva é alta, assim como no emagrecimento. A cirurgia não é um tratamento definitivo”, explica a especialista. Ela enfatiza ainda que, mesmo sendo uma doença que afeta um grande número de mulheres no País, o lipedema ainda é pouco conhecido, o que resulta em falta de diagnóstico ou em diagnósticos incorretos. O que retarda o início do tratamento, aumenta a progressão da doença e causa sofrimento físico e emocional às pacientes.

“É uma doença que não tem cura, mas tem necessidade de acompanhamento e tratamento para que a perna não evolua causando deformidade articular no futuro e até mesmo alterações linfáticas, precipitando alterações como feridas ou erisipela, que normalmente acontece com senhoras obesas”, afirma Camila.

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