Cuidados

Maio Vermelho: Mês dedicado para alertar dentistas e pacientes para cuidados com a saúde bucal

Diagnóstico precoce é o maior aliado para cura do câncer de boca

- O câncer de boca é uma patologia agressiva, que precisa ser diagnosticada rapidamente para que possa ser devidamente tratado

Por Joana Bendjouya

O câncer de boca, também conhecido como câncer de lábio e da cavidade oral, é um tumor maligno que afeta lábios e estruturas da boca, como gengivas, bochechas, céu da boca e língua. Apresenta alta taxa de mortalidade, apesar de o exame para identificar lesões suspeitas ser simples, podendo ser realizado por um profissional qualificado e de forma rotineira em consulta ao dentista.

Os principais sintomas são o surgimento de machucados, como úlceras que demoram a cicatrizar, manchas brancas ou avermelhadas, sangramentos, inchaço e dormência em alguma área bucal, além de rouquidão. Nas primeiras etapas, a doença pode ser silenciosa, sem a manifestação de sinais. Nas fases mais avançadas, pode causar mau hálito, dores na região, dificuldade para falar e engolir, além do desenvolvimento de caroços no pescoço e perda de peso.

De acordo com a dentista e professora de Saúde Coletiva do curso de Odontologia da UCPel, Beatriz Bidigaray, ao identificar a existência de feridas que não cicatrizam ou que não desaparecem, ou ainda sangramentos frequentes sem causa conhecida, deve ser procurado um dentista para que seja realizado o diagnóstico sobre o quadro apresentado.
“Quando a gente consegue diagnosticar cedo, as chances de cura são enormes. Quando a gente diagnostica cedo, a gente cura. Quando feito de forma tardia, essas chances caem muito. Muitas vezes, algumas lesões bucais passam desapercebidas e a população só vai procurar atendimento quando está em estágio avançado e precisamos mudar isso. Diagnóstico precoce é tudo”, alerta.

A visita periódica ao dentista favorece essa possibilidade ao diagnóstico precoce do câncer de boca, porque desta forma é possível identificar lesões suspeitas o quanto antes. Se diagnosticado no início e tratado da maneira adequada, cerca de 80% dos casos desse tipo de câncer têm cura. Geralmente, o tratamento envolve cirurgia oncológica e/ou radioterapia. A avaliação médica, conforme cada caso, é que irá decidir qual o melhor tipo de tratamento.

Diagnóstico
Beatriz explica que, após a análise e biópsia realizada pelo próprio cirurgião dentista, e conforme o diagnóstico do patologista, se o resultado for positivo para câncer, o paciente será encaminhado para consulta com um cirurgião de cabeça e pescoço, que poderá orientar sobre a cirurgia a ser realizada. Desta forma, o profissional determinará o procedimento correto, observando se há metástases e outros detalhes fundamentais para guiar o melhor tratamento. “Nós diagnosticamos e analisamos a biópsia, mas o tratamento do câncer é com cirurgia, realizado em uma esfera de complexidade maior. Volto a falar, sempre o diagnóstico e encaminhamento precoce é fundamental”, enfatiza.

Tratamento
Na maioria das vezes, é realizada uma cirurgia para a remoção do tumor ou lesão. Após, o paciente pode ser encaminhado para sessões de quimioterapia, radioterapia e imunoterapia como tratamento complementar. Isso irá variar de acordo com o grau desta lesão, não existindo um padrão único de tratamento, pois cada um será planejado de acordo com as necessidades e particularidades de cada caso.

Outro ponto que pode ser necessário é a reconstrução, dependendo do tamanho e da localização do tumor. “É importante ressaltar que cada tratamento é único, não tem um padrão. Quanto antes esse diagnóstico, melhor. Às vezes, se é uma lesão muito pequena, só cirurgia e seguir cuidando, observando ao longo do tempo. Agora, se for uma lesão muito complexa, muito ampla, exige tratamentos mais extensos, invasivos e doloridos e, às vezes, até comprometimentos mais severos”, explica Beatriz.

Nos casos mais avançados, a dentista salienta que outros sintomas mais impactantes podem acometer os pacientes, sendo assim o diagnóstico precoce o maior aliado para o tratamento. “Exposição sem proteção ao sol, principalmente em câncer de lábio inferior, assim como uso de tabaco e álcool, sendo os mais acometidos os homens acima de 40 anos. “Precisamos empoderar a população para que possa conhecer sobre os fatores de risco e, se tiverem lesões iniciais, que procurem uma UBS, que procurem dentistas que façam exames periódicos, tanto da saúde bucal, quanto de lesões. É muito importante que a lesão seja diagnosticada precocemente para que o tratamento tenha mais êxito”, ressalta.

Maio Vermelho
A campanha Maio Vermelho se refere ao dia 31 de maio, instituído pela Lei Estadual 12.535/06 como o Dia de Luta Contra o Câncer Bucal. A data tem como intuito ampliar as discussões e prevenções sobre esse tipo de câncer, buscando alertar a população para que fique atenta aos sinais de lesões na cavidade bucal e aos fatores de risco, além de chamar a atenção para a importância dos profissionais odontológicos para um diagnóstico preventivo. O Curso de Odontologia da UCPel irá desenvolver ao longo do mês atividades para alertar sobre sintomas, diagnósticos e tratamento do câncer de boca.

“Desde 2017 a UCPel colabora com a comunidade levando informação e trabalhando com a conscientização dos fatores de risco, para tentar assim diminuir os riscos da incidência e que não se tenha o aumento de mais portadores deste tipo de câncer que é muito grave. O intuito é educar a comunidade de como a doença se manifesta”, explica Guilherme Antonello, professor da disciplina de Patologia Oral e Cirurgia, até de ser um dos organizadores do campanha.

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