Família
A angústia da espera
Pai improvisa para não deixar de ver o filho que está com suspeita de Covid-19
Jô Folha -
É na ponta dos pés e com os olhos vidrados na janela que Valdeci Soares Júnior cuida do filho Pedro Henrique Soares, de apenas cinco anos, que desde quinta-feira está em observação no Centro de Atendimento de Síndromes Gripais - UPA Bento com suspeita de Covid-19. Devido à pandemia, apenas um acompanhante pode ficar no local, então, a mãe monitora o pequeno de perto e o pai, entre uma olhada e outra, torce para que tudo não passe de um susto.
O agente de trânsito de 35 anos conta que na última terça-feira, o filho começou com sintomas leves de resfriado e na quarta à noite os primeiros sintomas de falta de ar começaram a aparecer. Na quinta, bem cedo, Pedro Henrique já estava sendo atendido e com a orientação médica de utilizar oxigênio para ajudar na respiração. O restante do dia foi marcado pela ansiedade, que não permitiu que Valdeci arredasse o pé da frente da UPA. "Se desse para escolher eu queria que fosse eu no lugar dele", desabafou o pai, que na sexta-feira ainda seguia na calçada do local.
Chorando para ver o pai, Valdeci soube que uma das janelas externas era a do quarto de Pedro Henrique. "Foi o jeito que encontrei dele me ver e se acalmar", disse ele. Entretanto o pequeno acabou se agitando ao ver o pai só de longe. "Agora a médica pediu que eu não olhe mais, mas sigo por aqui", contou, mostrando um áudio em que filho pedia que o pai fosse em casa buscar os bonecos para ele brincar enquanto segue na observação. Com uma voz já mais forte e sem ofegar o agente de trânsito já estava orgulhoso do menino, que aos poucos estava tentando ficar sem o auxílio do oxigênio.
Filho de Valdeci e Samanta e irmão da Amanda, Pedro Henrique não dispensa seus bonecos, um jogo de futebol e o videogame, contou o pai. "É daqueles que não para", falou, recordando que desde que as aulas da escolinha foram suspensas a bola e o pátio de casa, na Santa Terezinha, viraram seus melhores amigos. Ambos afastados do trabalho para cuidarem do filho, a expectativa é que, em seguida, o menino não precise utilizar o oxigênio em nenhum momento e volte para casa o mais rápido possível.
Até o fechamento desta edição, Pedro Henrique seguia em observação, aguardando o resultado do teste. Por isso, a angústia e a ansiedade seguem, Valdeci ainda caminha de um lado para o outro na frente da UPA esperando notícias, mas confiante que os últimos dias renderão apenas uma história de susto para recordar.
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