Pandemia

Academias sentem o impacto da crise econômica

Estabelecimentos fecharam as portas por conta da pandemia e mais de 200 pessoas já perderam emprego no setor

Jô Folha -

O setor de academias de ginástica em Pelotas é um dos tantos impactados pela crise econômica ocasionada pela pandemia da Covid-19. Nos últimos meses, oito estabelecimentos fecharam as portas; ao todo, mais de 200 pessoas acabaram desempregadas, sem opções na área de Educação Física. Proprietários ressaltam que a incerteza sobre quando e por quanto tempo poderão funcionar é o principal fator para a instabilidade financeira - a razão disso é o “abre-fecha” dos serviços por conta das mudanças no sistema de bandeiras proposto pelo governo do Rio Grande do Sul.

Membro do Conselho Regional de Educação Física, Bruno Araújo destaca que além dos estabelecimentos que fecharam completamente, outros dois estão em tratativas para também encerrar as atividades. Um dos motivos é o lento retorno dos clientes às academias de ginástica. Na segunda quinzena de julho, o Decreto Municipal 6.294 permitiu o funcionamento do serviço, incluindo os espaços em condomínios residenciais - essa não foi a primeira liberação, outra havia ocorrido em abril. “A retomada dos clientes está em torno de 25%, 30% em comparação a março”, explica o conselheiro.

Araújo também é proprietário de academia. A exemplo de outros profissionais da área, para ele um dos fatores que mais pesa no bolso é o aluguel. “Trabalhar com esses números de lenta retomada, pagando o aluguel e a folha de pagamento, não é algo fácil”, ressalta. A perspectiva é de que, nos próximos meses, o cenário melhore por conta dos avanços no combate à Covid-19 no município. “O exercício físico é uma forma de promoção de saúde para a população”, frisa.

Outro proprietário preocupado com a atual situação é Augusto Saleh. No estúdio em que é gerente, a queda de receita, comparada com os dois primeiros trimestres do ano, foi de 81%. O número de alunos a partir do mês de abril despencou consideravelmente: foram 70% a menos. Uma das justificativas para o proprietário foi a demora para que os serviços do gênero passassem a funcionar. “Criou-se uma falsa ideia de que as academias são ambientes perigosos ao vírus. É um pré-conceito que gerou uma barreira cultural na cidade”, acredita.
Apesar de lenta, a volta gradual é um alívio a quem passa por sufoco para manter o negócio. “Em meses, estamos torrando reservas que fizemos ao longo de anos. Perto desse sufoco, toda e qualquer melhora nos dá um fôlego maior para tentar salvar os negócios”, completa.

Ainda segundo o Decreto, as academias devem funcionar com até 25% dos trabalhadores, atendendo individualmente cada aluno, respeitando o distanciamento mínimo. O problema é que são poucos aqueles que possuem um número de funcionários suficiente para atender a demanda conforme o distanciamento, daí entram novas despesas no chamamento temporário de trabalhadores.

Lei que torna os exercícios físicos prática essencial foi vetada
Através do gabinete do parlamentar Fabricio Tavares (PSD), foi protocolada a lei que reconhece as práticas da atividade física e do exercício físico como essenciais para a população, levando em consideração “tempos de crises ocasionadas por moléstias contagiosas ou catástrofes naturais”. Votada e aprovada Câmara de Vereadores, a lei, no entanto, não foi aceita pela prefeitura, por “interferir no sistema normativo municipal de combate à pandemia”, afirmou o texto referente ao veto.

O Conselho Regional de Educação Física, em diálogo com os vereadores de Pelotas, trabalha agora para que a decisão seja revista.

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