Espera

Adolescentes com comorbidades aguardam vacinação

Adolescentes com comorbidades vivem limbo entre aprovação de vacinas e fila de espera para imunização

Carlos Queiroz -

Existe um grupo de pessoas no limbo no processo de imunização contra a Covid-19 no Brasil. Não está contemplado nas faixas prioritárias das doenças específicas e, ao mesmo tempo, aguarda o processo burocrático de aprovação das vacinas no Brasil. São os adolescentes com comorbidades, atualmente absorvidos por uma longa e apreensiva espera. Ocorrida ontem, a liberação do imunizante da Pfizer, pela Anvisa, para pessoas a partir de 12 anos, dá novas cores de esperança ao caso.

A aprovação pela entidade de vigilância sanitária brasileira ocorreu após uma série de estudos desenvolvidos pelo laboratório que indicou a segurança e a eficácia da vacina para o grupo. Ela é, agora, a única autorizada no Brasil para aplicação em pessoas a partir dos 12 anos. Porém, como não estão inclusos nos grupos prioritários do Plano Nacional de Imunização, os adolescentes que possuem comorbidades terão de aguardar na fila por idade - o Rio Grande do Sul, por exemplo, só estima a data da primeira dose para a população adulta, a partir dos 18 anos.

Esse é o limbo em que se encontra Johann Honscha Cibils (16), portador de tetralogia de fallot - uma má formação cardíaca - e insuficiência pulmonar. A mãe, a pelotense Gisele Honscha, vê de forma indignada a situação. "É um público invisível que já poderia ter sido vacinado", lamenta.

"Em abril deste ano ele passou por um cateterismo e eu fiquei em pânico, mas não dava mais pra adiar. Agora estamos aguardando para ver se ele vai implantar a válvula por cateterismo ou cirurgia, mas como ele leva uma vida normal e não está apresentando sintomas em função da insuficiência, o médico optou por esperarmos mais", conta ela que vê na vacinação uma forma de ganhar tranquilidade. "Quando vi que a da Pfizer poderia ser utilizada, logo tive esperanças e fiz os contatos possíveis, mas ainda parece não ter essa previsão."

Parece e realmente não há. Para que adolescentes como Johann sejam finalmente vacinados, é preciso que o Ministério da Saúde edite o Plano Nacional de Imunização, incluindo o grupo nas pessoas com prioridade. Essas atualizações já ocorreram em outros momentos, mas não há no horizonte uma data para que ocorra nova mudança. Por outro lado, em entrevista realizada na tarde de ontem para o portal Uol, o presidente da Anvisa, Gonzalo Vecina Neto, afirmou que a aprovação da vacina da Pfizer para pessoas a partir de 12 anos abre as portas para antecipar a imunização dos adolescentes com comorbidades.

Mobilização
Enquanto a data para vacina não sai, a luta continua. Uma luta que começou lá atrás, em 2006, quando os adolescentes de hoje eram ainda crianças e três mães se juntaram para reivindicar direitos e informar outros pais com filhos com comorbidades e fundaram o Instituto Abrace.

Mãe de Sofia, hoje com 16 anos, a jornalista Gabriela Mazza é o braço pelotense da ONG. Ela relata que a pandemia tem alterado a rotina da família, cujas escolhas passam pelo bem estar da filha, portadora de displasia broncopulmonar. Na tarde da última quarta-feira (10), ela esteve reunida virtualmente com a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) para abrir o caso e solicitar auxílio do Poder Público. Na ocasião, a Chefe do Executivo esclareceu que o Município segue as determinações do PNI e do Plano Estadual de Vacinação, mas disse compreender a necessidade e manifestou solidariedade à causa, adiantando que reforçará o discurso junto às autoridades dos outros níveis.

Outros países
Logo ao lado, existe um exemplo. No início dessa semana, o vizinho Uruguai iniciou a aplicar a primeira dose em jovens de 12 a 17 anos com a vacina desenvolvida pela Pfizer. Mais de 150 mil menores de idade deverão ser imunizados até o início da semana. O Canadá, ainda em maio, foi o primeiro país a autorizar a vacinação de adolescentes a partir dos 12 anos com a solução da Pfizer - a única, até o momento, sendo aplicada nesta faixa-etária no mundo.

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