Pandemia

Anseios e medos dos estudantes de Odontologia

Pesquisa nacional promovida pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) quer compreender os impactos da pandemia na vida dos alunos

A Odontologia é uma das áreas que foi bastante afetada pela pandemia do novo coronavírus. Com o objetivo de compreender os impactos da Covid-19 na vida dos estudantes, o curso da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) organizou a pesquisa Pandemia de Covid-19 no ensino odontológico: um estudo com universitários brasileiros. Entre os dias 8 e 26 de julho, foram enviados formulários a alunos do curso em todo o país, com uma abordagem psicossocial e acadêmica.

A finalidade era entender como os estudantes estavam vivendo este período. Em Pelotas, a Odontologia está sem atividades desde março, assim como os outros cursos da UFPel. Contando apenas com aulas remotas, a perspectiva é de que o retorno com as práticas ainda demore. Pelo fato da Covid-19 ser transmitida pelo ar, são necessárias várias reformas para a segurança dos alunos, professores e pacientes. “Nós temos clínicas abertas com 20, 30 pacientes sendo atendidos no mesmo local. Isso traz um risco enorme de contaminação por coronavírus. Vamos precisar de reformas para poder trabalhar com mais segurança. Em razão dessas dificuldades que temos para o retorno presencial, idealizamos essa pesquisa, para perceber como elas refletem nos alunos e como as faculdades estão lidando com este contexto”, explica o responsável pela pesquisa e docente do curso de Odontologia da UFPel, Alexandre Emídio.

Em todo o país, 1.050 estudantes responderam ao questionário elaborado pelos docentes, entre alunos de graduação e pós-graduação. A pesquisa, que aconteceu via Google Forms, trouxe uma série de resultados quanto à forma como os estudantes têm vivenciado a pandemia e as diferentes realidades de cada instituição. 80% das faculdades de Odontologia interromperam as atividades. Outras 15% seguiram com aprendizados apenas para os alunos que estão nos semestres finais e apenas 5% mantiveram atividades mesmo com a pandemia. Além da questão dos calendários suspensos ou da definição de datas alternativas, os estudantes foram questionados quanto aos reflexos da crise sanitária na formação, no aspecto técnico e psicológico. Cinco por cento dos alunos tiveram Covid-19. “80% consideram que a Odontologia tem alto risco para desenvolver a doença. Quase 50% só pretendem voltar a trabalhar quando for desenvolvida a vacina, justamente por este alto risco”, comenta o docente. Quanto ao psicológico, muitos têm medo da infecção cruzada, receio de serem contaminados durante o atendimento. Outros 82% afirmaram que se sentiriam ansiosos caso identificassem sintomas de Covid-19 em algum paciente.

Das características fenotípicas, foi identificado um índice de 70% de mulheres e uma predominância de pessoas brancas, com 65% das respostas. Os alunos do Sul foram a maioria entre as regiões brasileiras, com 44%, seguidos pelos nordestinos, com 23%. A média de idade dos alunos ficou em 23 anos, sendo 51,8% estudantes de universidades públicas e outros 48% de instituições privadas. “Os estudantes entre o 6º e o 10º semestre foram os que mais responderam à pesquisa. É o momento em que já estão fazendo atividades clínicas, práticas e, consequentemente, foram mais afetados pela suspensão das atividades presenciais”, analisa Alexandre.

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