Agronegócio

Bom para o produtor, melhor ainda para as famílias

Programa viabilizado através da Conab irá garantir a distribuição de 446,4 toneladas de alimentos adquiridos de agricultores familiares da região

Jô Folha -

Quase dez mil pessoas, de sete municípios da região, têm sido beneficiadas com uma ação que possui dois objetivos nobres: promover o acesso à alimentação e incentivar a agricultura familiar. É o Programa de Aquisição de Alimentos, executado através da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Na Zona Sul, mais de 440 toneladas de frutas, legumes e verduras serão distribuídos, em um investimento que ultrapassa R$ 1,1 milhão. No país, o valor bate nos R$ 500 milhões.

A expectativa inicial era de que as doações se estendessem até o mês de novembro. Com o aumento do número de famílias em situação de vulnerabilidade social - em decorrência da pandemia -, em Pelotas, a estimativa é de que as 48 toneladas sejam distribuídas em pouco mais de seis meses de trabalho e não em um ano como o projetado.

O desafio, daqui para frente, é ir em busca de um novo projeto que una essas duas pontas fundamentais: garantir alimento no prato de quem está com dinheiro escasso ou sem renda e fomentar as vendas aos agricultores familiares, que nem sempre encontram mercado para entregar a produção, principalmente, em cenário de crise econômica. “Esperamos poder dar continuidade, com uma atenção especial a este tipo de projeto”, afirmam os extensionistas rurais da Emater, Marcos Protzen e Francisco Arruda.

Alimento de qualidade de um lado, venda certa do outro

Os alimentos são variados: alface, agrião, rúcula, couve, cebola, tomate, pimentão, abóbora, milho-verde, aipim... Por vezes são as frutas que ganham destaque: melancia, morango, pêssego... Variedades que, dificilmente, irão compor o cardápio de quem come apenas o básico para fazer render o dinheiro.

Na Colônia de Pescadores Z-3 - uma das comunidades contempladas com o programa -, se de um lado os moradores comemoram a boa safra de camarão, por outro há várias famílias que sofrem as consequências das demissões no comércio. As doações, portanto, chegam em boa hora. Foi o que o Diário Popular acompanhou na tarde da última quinta-feira. "É muito bom. Ajuda muito", resume Magali Porto, 42. "Já tô até imaginando comer camarão com abobrinha assada", descontrai.

Para o presidente da Cooperativa dos Produtores Agrícolas do Monte Bonito (Coopamb), Nilson Scheunemann, o momento também é de satisfação. Os agricultores têm enfrentado redução de aproximadamente 40% nas vendas como reflexo da pandemia. "O produto acaba sobrando. Às vezes tá maduro no pé, já tá caindo, e não tem pra onde entregar", lamenta.

Portanto, a venda certa através do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) é muito bem-vinda. E o desejo, claro, é poder dar seguimento, ao longo de 2021. Com alto número de famílias em situação de vulnerabilidade e um teto que não atinge R$ 7 mil por agricultor, o trabalho já está prestes a se encerrar em Pelotas. "Precisamos de outras iniciativas dessas, que incentivem a agricultura".

Saiba mais

- Em Pelotas, os 1.386 contemplados integram o cadastro do Banco de Alimentos Madre Tereza de Calcutá. São moradores das regiões da Balsa, Fátima, Cruzeiro, Navegantes, Vasco Pires , vila da Palha, Colônia Z-3, Valverde e Balneário dos Prazeres.

- Em todo o Rio Grande do Sul, 39 projetos foram aprovados.

- O crédito extraordinário de R$ 500 milhões, via Ministério da Cidadania, envolve a aquisição de alimentos de 85.250 agricultores familiares.

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