Mercado

Por mais mulheres no mercado tech

Pelotenses criam projeto para aproximar empresas e profissionais do ramo da tecnologia

Divulgação -

O futuro está sendo escrito em linhas de códigos e as mulheres, apesar de compor grande parte dos usuários de apps e redes sociais, parecem não possuir uma participação ativa na produção da tecnologia. O que não é a realidade. Pensando nisso, um grupo rompeu barreiras na área e, agora, busca ajudar, através do projeto Gurias Tech, mulheres de Pelotas e região a superarem a desigualdade no setor, aumentando a participação feminina em um mercado em crescimento.

A indústria da tecnologia carrega uma forte carga masculina, porém não é difícil achar histórias de mulheres para compor a lista de revolucionárias no setor. Grace Hopper, por exemplo, foi uma das criadoras do Cobol, uma linguagem de programação para bancos de dados comerciais. Karen Sparck foi uma das criadoras do conceito de “inverso da frequência de documentos”, um sistema de recuperação de informações que minera os dados em um conjunto de documentos, base do que hoje são os sistemas de buscas e localização de conteúdos e peça fundamental de companhias como o Google. Ambas fizeram história. Porém, foi apenas nos últimos 20 anos que algumas áreas estão sendo abertas, mesmo que lentamente, para o sexo feminino.

Justamente focando no crescimento profissional e realização pessoal é que foi criada a comunidade do Gurias Tech, com o objetivo de estimular o networking entre mulheres e as empresas, além de fortalecer o trabalho de outras e criar referências femininas na sua área. A ideia tomou forma em março deste ano, com a desenvolvedora back-end Alana Corrêa, 27. Depois, foi abraçada pela designer de produto Camila Peres, 31, e pela psicóloga Munique Fernandez, 31.

“Trabalhamos juntas em uma startup de Pelotas. Foi quando nos tornamos amigas e passamos a compartilhar nossas experiências profissionais, mesmo quando seguimos por desafios profissionais diferentes. Como trabalhamos em empresas de tecnologia há anos, temos visto a necessidade de diversidade neste mercado. Infelizmente, já passamos por diversas situações incômodas e preconceituosas e, portanto, a ideia do projeto fez muito sentido para todas nós”, afirmou Alana.

Mais chances, maior visibilidade

Entre as ações para aumentar o número de mulheres nas carreiras de tecnologia, está o Banco de Dados. “A grande maioria dos homens geralmente indica outros homens para o preenchimento de vagas nas empresas em que trabalham ou são conhecidos. Como temos uma maioria masculina no mercado, a tendência é que este ciclo não se rompa - a menos que alguma ação seja tomada. Portanto, queremos servir como uma ferramenta de concentração e indicação de perfis femininos para estas oportunidades de trabalho, auxiliando também as empresas que visam o aumento da diversidade em suas equipes a encontrarem perfis que combinem com suas vagas”, explica o grupo.

Elas ressaltam como fator importante também o desenvolvimento técnico para preparar as mulheres para as oportunidades geradas. São indicações de cursos, eventos e conteúdos, seguindo um estilo de mentoria. Mais do que o desenvolvimento humano e social, a ideia é engajar mulheres e as incentivar a serem fortes e ocupar seus espaços.

O público-alvo do projeto são todas as mulheres e pessoas que se identificam com o gênero e se interessam por tecnologia. Para integrar o Banco de Dados, é preciso estar envolvida - estudando ou trabalhando -, buscando a primeira oportunidade de emprego ou novos desafios profissionais em estágio ou vagas de tempo integral.

Mercado de trabalho

O setor de tecnologia e inovação é amplo e está em crescimento em Pelotas. A cidade é a quinta com o maior número de startups no Estado. A participação feminina, no entanto, é considerada mínima e, mesmo nas áreas em que são maioria, homens ocupam cargos de liderança. “Estamos percebendo uma maior disparidade entre homens e mulheres com relação a oportunidades, além de estarem em grande demanda na cidade”, explicou Camila.

As fundadoras do projeto reforçaram o pedido a empresas do município e da região para que apoiem a causa. “Queremos servir como uma ferramenta de concentração e indicação de perfis femininos para oportunidades de trabalho, auxiliando também as empresas que visam ao aumento de diversidade em suas equipes a encontrarem perfis que combinem com suas vagas”.

Como participar

Todas as informações de eventos, cursos, mercado de trabalho e vagas de emprego são divulgadas no Instagram @guriastech.

Mulheres de Pelotas e região que buscam vagas na área de tecnologia devem se inscrever no Banco de Talentos, pelo site conecta.bio/guriastech, respondendo um questionário que auxilia no mapeamento de vagas de acordo com o perfil da candidata.

Empresas interessadas em se engajar na proposta do grupo podem entrar em contato pelo e-mail contato@guriastech.com.br.

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