Saúde
Caso de febre amarela alerta para imunização
Diante da vacinação contra a Covid-19 e a gripe, vacina do calendário básico não pode ser esquecida
Em meio à mobilização para a imunização contra a Covid-19 e a Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe, outro vírus passou a deixar o Rio Grande do Sul em alerta: o da febre amarela. Em nota, o Governo do Estado confirmou ontem a morte de um macaco bugio em decorrência da doença, em Porto Alegre. Outros casos suspeitos em solo gaúcho estão em análise. A constatação expõe a necessidade da imunização contra a doença infecciosa, que compõe o calendário básico de vacinação.
Em Pelotas, aqueles que se encaixam no grupo apto a receber a imunização - crianças e adultos de até 59 anos -, e não possuem a vacina contra a febre amarela, devem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência ou o Centro de Especialidades. Os locais estarão realizando as aplicações no turno da tarde, horário que também é realizada a vacinação contra a Influenza.
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) afirmou por meio de nota que "está organizada, na rede de Atenção Primária, para a vacinação contra a febre amarela, juntamente com as demais vacinas do calendário básico". Para isso, as UBSs estão sendo preparadas para as aplicações no turno da tarde, afim evitar colisão com o atendimento de pessoas com sintomas gripais, feito no turno da manhã. A pasta ainda alerta que deve haver o agendamento da aplicação da vacina, diretamente com o local, pois o frasco do imunizante é multidose e possui duração de 6h após aberto.
Segundo a chefe da Vigilância Epidemiológica, Aline Machado da Silva, a necessidade de uma maior atenção no calendário vacinal neste momento gera desafios aos profissionais de saúde, que estão focados nas aplicações de doses contra o coronavírus e a gripe. "Um dos desafios das equipes é garantir que os pacientes que procuram atendimento por sintomas gripais não tenham contato com o público que busca a UBS para atendimentos de rotina, como é o caso da vacinação contra a febre amarela", explica.
Quem deve se vacinar?
A vacinação é voltada a crianças, que devem receber a primeira dose aos nove meses e um reforço aos quatro anos. A partir dos cinco até os 59 anos, aqueles que não foram vacinados recebem dose única, de acordo com o calendário do Programa Nacional de Imunizações (PNI).
Segundo a coordenadora da 3ª Coordenadoria Regional de Saúde, Caroline Hoffmann, grupos que não se encontram no PNI também devem estar atentos. Ela explica que a vacinação de idosos com mais de 60 anos, gestantes, mulheres que amamentam crianças menores de seis meses e pessoas portadoras de comorbidades deve acontecer somente em situações extremas, caso de emergência epidemiológica, surtos, epidemias ou viagem para área de risco, mediante a avaliação de médica. No caso de mulheres que estejam amamentando, o aleitamento deve ser suspenso por, no mínimo por dez dias.
Conforme a Secretaria Estadual de Saúde (SES), não há restrição quanto à administração simultânea, e necessidade de intervalo, entre a vacina contra a Influenza e da febre amarela. Quanto à vacinação do coronavírus e a febre amarela, a recomendação é de 14 dias de intervalo.
Esquema de vacinação
9 meses de idade: uma dose, com reforço aos quatro anos
Entre 11 e 19 anos: sem comprovação vacinal até os cinco anos, recebe dose única; se vacinado antes dos cinco anos, deve fazer uma dose de reforço
Acima de 20 anos: se vacinado antes dos cinco anos, fazer uma dose de reforço; sem comprovação vacinal ou que nunca foi vacinado, administrar dose única em pessoas até 60 anos incompletos
Acima de 60 anos: somente com atestado médico
Sentinelas
Os bugios (e os macacos-prego, no caso do Rio Grande do Sul) são considerados sentinelas da febre amarela e não representam riscos à população. Esses animais servem como indicadores da presença do vírus no ambiente silvestre e adoecem depois que são picados pelo mosquito transmissor, o Haemagogus. Humanos não vacinados são contaminados somente ao serem picados por mosquitos infectados, por isso a necessidade da imunização.
O Estado não registrava a presença do vírus causador da febre amarela desde 2009. Em janeiro, foi confirmada uma ocorrência em Pinhal da Serra, no Norte do Estado, também após a morte de um macaco. Desde então, outros 12 municípios já confirmaram a presença do vírus. Até o início de abril, a Secretaria Estadual da Saúde notificou dois casos suspeitos em seres humanos, um caso descartado e um caso que aguarda diagnóstico.
Os principais sintomas da doença são febre alta, dor de cabeça intensa e duradoura, ausência de apetite, náuseas e dores no corpo.
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