Safra

Dada largada à safra da corvina

Com previsões meteorológicas positivas, apreensão é quanto aos possíveis efeitos da pesca predatória

Jô Folha -

Segunda principal safra para os pescadores artesanais da região, atrás somente da pesca do camarão, que inicia no mês de fevereiro, a captura da corvina está autorizada desde o dia 1º de outubro e se estende até 31 de janeiro. Este ano, trabalhadores têm demonstrado preocupação com possíveis efeitos que a pesca predatória, considerada crime ambiental, pode causar na safra, reduzindo a quantidade de pescado obtida pelas famílias que vivem da atividade.

Pescador há 37 anos, Márcio Oliveira está com boas expectativas, entretanto teme quanto a quantidade de corvina à disposição devido à redução da entrada destas na Lagoa dos Patos. "O pescador sempre espera que seja uma boa safra, se perdêssemos a esperança ninguém mais pescava, pois de uns anos para cá a coisa está ficando feia. A fiscalização não toma cuidado com os barcos de arrasto, que acabam às vezes passando e nos prejudicando". A presença de embarcações sem permissão, realizando a captura das corvinas com grandes redes antes mesmo destas entrarem no estuário da lagoa, é apontada como um dos motivos para a redução de pescado.

A esperança para os trabalhadores vem das previsões meteorológicas, que apontam uma redução nas chuvas em comparação aos últimos meses do inverno. "A lagoa depende de água salgada. Com a chuva dá uma mexida e acaba reduzindo também o número do pescado. Se continuar com pouca chuva, pelo menos até o final do ano, quando o pessoal já vai deixando de lado e se dedicando à tainha, ou se preparando para o camarão, é melhor para nós", comenta Oliveira.

Representante do sindicato da Colônia Z-1, que abrange os municípios de Rio Grande e São José do Norte, Nilton Machado afirma que o mesmo fator que gera preocupações em pescadores da Colônia Z-3, atinge também as duas cidades. "Nos meses de outubro, novembro e dezembro a nossa espécie alvo é a corvina, que infelizmente não está conseguindo adentrar ao estuário por causa da pesca predatória realizada em nossa costa e na boca da Barra de Rio Grande", comenta.

Além da corvina, no mês de outubro inicia o período de safra da tainha, que segue até maio. Entretanto, a espécie não é foco dos trabalhadores nos últimos meses do ano. "Embora a pesca da tainha passe a ser permitida neste mês, ela se torna pesca alvo a partir de janeiro e se intensifica a partir de março", explica Machado. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), na Colônia Z-3 em média 600 pescadores trabalham na pesca da corvina e tainha, enquanto, de acordo com o sindicato, 762 dedicam-se à atividade em Rio Grande e outros 1.052 em São José do Norte.

SDR pontua boas projeções

Segundo projeções da SDR, é esperado que a safra seja semelhante à produção da temporada 2020/2021 e atinja aproximadamente quatro mil toneladas de corvina e mais quatro mil toneladas de tainha. "A expectativa de produção é positiva para esta safra uma vez que, segundo as previsões meteorológicas, não teremos chuvas excessivas nesta primavera e verão, permanecendo baixo o nível da Lagoa, o que permitirá a entrada de água salgada, condição desejável para o crescimento das espécies - tanto de peixes, como do crustáceo", afirma o secretário Jair Seidel.

Finalizado o período de defeso, quando a atividade deve ficar obrigatoriamente parada, a nova safra serve como importante incremento na renda dos pescadores. Estimativas mostram que os preços dos pecados para a venda devem manter-se semelhantes aos da temporada passada, com a corvina sendo oferecida à cerca R$ 2,00 o quilo e a tainha em torno de R$ 3,50 o quilo.

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