Antitabagismo

Dia para dizer não ao cigarro

O 29 de agosto tem o propósito de dialogar sobre os danos causados pelo uso do tabaco

Carlos Queiroz -

Com o objetivo reforçar as ações nacionais de sensibilização e mobilização da população para os danos sociais, políticos, econômicos e ambientais causados pelo tabaco, o 29 de agosto é comemorado desde 1986. O tabagismo, que é considerado uma pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), tem papel de destaque no agravamento de outra pandemia, a do novo coronavírus. Por isso, o tema da data não poderia ser diferente: “Tabagismo e coronavírus (Covid-19)”.

Em Pelotas, a referência para quem deseja parar de fumar são as Unidades Básicas de Saúde (UBS’s). De acordo com a coordenadora do núcleo da saúde do adulto, Cristina Zimmer, os profissionais dos locais passaram por uma capacitação no ano passado, a fim de melhorar o atendimento dos que buscam o serviço. Ela explica que o tratamento ocorre através de adesivos e medicamentos. “Dispomos deles em estoque para dispensação para a rede conforme orientação médica”, completa. 

Além disso, a temática é debatida tanto em grupo como individual. Porém, neste momento de pandemia, o Programa Municipal do Tabagismo precisou suspender os atendimentos coletivos, como medida protetiva à contaminação. Entretanto, a assistência individual segue sendo prestada, mediante avaliação. “Quem deseja parar de fumar deve procurar a UBS mais próxima de sua residência para receber as informações a respeito do tratamento”, diz a coordenadora.

O tabagismo e a Covid-19

O pneumologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas (Famed/ UFPel), Ricardo Noal, conta que o cigarro é uma das principais causas de morte no mundo. “Todos os anos mais de 8 milhões de pessoas morrem em virtude do vício”, completa. O tabagismo reduz a capacidade respiratória, causa mais de 20 diferentes tipos de câncer, além de aumentar o risco e a gravidade de uma grande variedade de infecções respiratórias.

Diante da situação pandêmica que o país vive, o ato de fumar aumenta a vulnerabilidade dos fumantes a contrair a Covid-19, pois envolve contato com os dedos, facilitando a transmissão do vírus das mãos à boca. Além disso, reduz a adesão a medida de barreira mais eficaz em saúde pública que é a utilização de máscaras. “Algumas publicações internacionais têm sugerido que os tabagistas têm maiores riscos de desenvolverem a doença de forma mais grave, com mais complicações e óbitos”, explica. A sugestão do docente, baseado em estudos e dados da OMS, é a cessação do tabagismo como forma de combate a transmissão e a susceptibilidade ao vírus.

Livre do vício

A advogada Natália Silveira foi motivada pela pandemia do coronavírus a largar o vício que lhe acompanhou por cinco anos. O consumo do tabaco na vida dela não ocorria diariamente, mas em situações de lazer, como festas e eventos ao ar livre. “Com o isolamento eu parei de ter contato com as situações que faziam eu fumar mais”, recordou. Mas a decisão de largar o cigarro foi em razão do receio de se contaminar com a Covid-19 e ter o caso agravado por ser fumante. “Não usei nenhuma técnica além do medo”, contou. 

Desde março sem colocar um cigarro na boca ela relata já se sentir melhor, mas conta que no início foi difícil. Porém, confessa que ainda pensa em fumar praticamente todos os dias. “E muitas vezes pensei em zerar a conta dos dias sem cigarro”, desabafou. Hoje, as principais mudanças começam a ser colhidas e ela já nota uma melhora no preparo físico e também destaca o lado financeiro, já que manter o vício acaba pesando no bolso. E para quem deseja parar a dica é pensar a longo prazo. “Todo mundo sabe que causa muitos danos, mas acabamos pensando só no momento”.

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