Expectativa

É hora de retornar ao trabalho na Lagoa

Depois do período de defeso, a partir desta quinta-feira está liberada a pesca da corvina e pescadores artesanais estão otimistas com o momento

Carlos Queiroz -

A partir desta quinta-feira (1º) a pesca da corvina fica autorizada na Lagoa dos Patos. Na Colônia Z-3, zona rural de Pelotas, os pescadores estão entusiasmados com o retorno da pescaria artesanal e os últimos dias foram dedicados aos reparos nos barcos, como ajustes no motor, e de costura nas redes. Os dias ensolarados aumentaram as expectativas com a safra.

Desde julho os trabalhadores estão com as embarcações encostadas por conta da piracema, época de reprodução dos peixes e proibição da pesca na Lagoa. Para o Rui Carlos Mello, 62 anos e pescador há mais de 50, se a chuva voltar, os ânimos vão baixar. “Não pode chover, daí não tem peixe”, lembra. De acordo com o último boletim do Centro de Pesquisas Meteorológicas da Universidade Federal de Pelotas (CPMET/UFPel), há previsão de novas tempestades no Rio Grande do Sul, a partir desta quinta, podendo trazer muitos relâmpagos, chuva forte e rajadas de vento.

Por outro lado, uma situação que influencia nos resultados da safra da corvina é a falta de dinheiro para realizar pequenas reformas no barco e comprar novas redes. Kléber Freitas, 39 anos, conta que dessa vez os investimentos foram poucos. “A safra do camarão não foi das melhores esse ano”, explicou. A captura do camarão ocorre alguns meses antes da pesca da corvina. Com uma safra boa, os resultados são bons para toda a Colônia, comércio e para investir nas safras seguintes.

Há mais de três anos, na Colônia Z-1, em Rio Grande, a safra da corvina é ruim, lembra o coordenador da Colônia, Santos Oriente. “Tenho contato com pescadores que fazem saídas pela Barra e eles dizem que tem bastante peixe. A expectativa é das melhores”, sinaliza.

Pescadores ainda aguardam pagamento do seguro-defeso

Desde julho sem respostas com relação ao depósito das parcelas do Seguro Desemprego do Pescador Artesanal, benefício no valor de um salário mínimo pago anualmente pelo INSS, uma parcela dos pescadores ainda aguarda para normalizar a situação. Entre as Colônias Z-1, Z-2 e Z-3, um total de 121 trabalhadores receberam a notícia que em breve devem receber o dinheiro, enquanto os demais ainda estão à deriva de ajuda e de informações.

De acordo com o presidente da Colônia Z-3, as parcelas devem começar a ser pagas até o início desse mês. As quatro parcelas atrasadas serão pagas em uma única vez. 

Todos os anos, quando os barcos são encostados por conta da piracema, os trabalhadores passam a receber o benefício. Neste ano a situação foi diferente: mais 340 pescadores ficaram sem receber. A esperança é que a situação seja normalizada para todos e, assim, que a safra da corvina seja proveitosa, rendendo o que investir para começar a pesca do camarão - marcada para o dia 1º de fevereiro do próximo ano.

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