Universidade

Impasse nas eleições da UFPel

Situação envolve a contratação de empresa terceirizada para realizar o processo de votação à Reitoria

Carlos Queiroz -

Desde a última segunda-feira um impasse ronda a consulta informal para reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A Comissão Eleitoral (COE) propôs a contratação de uma empresa terceirizada para computar os votos, serviço que, segundo a própria comissão e as chapas, constava no regramento, dizendo que caberia a COE decidir e contratar. Entretanto, a chapa 1 - UFPel Diversa - contestou tal ação, enquanto as chapas 2, 3 e 4 declararam apoio às decisões da COE. Depois de duas reuniões entre coordenação das chapas e COE foi firmado, no início da tarde desta quarta-feira (9) um termo de compromisso para seguir com o processo e adotar o sistema Helios, público e já utilizado pela UFPel. O primeiro turno da votação segue marcado para ocorrer nos dias 23 e 24 de setembro e o segundo 14 e 15 de outubro, de forma presencial e on-line.

A chapa 1, encabeçada pelos professores Paulo Roberto Ferreira e Ursula Silva, publicou uma carta aberta à comunidade manifestando “inconformidade com a inaceitável decisão da COE”. Segundo o documento, a terceirização implicaria injustificável desrespeito aos servidores que lidam com a área de tecnologia e a inaceitável condição de que para o voto ser computado o votante precisaria previamente cadastrar seus dados nesse sistema externo à UFPel. Em seguida, a COE manifestou-se, através de uma nota, afirmando que nenhum dado iria ser entregue à empresa contratada, já que os próprios eleitores fariam seu cadastro. Também registrou que a terceirizada assinou um contrato que trata do sigilo e imediata destruição da informação. Por fim, salientou: “Todas as chapas assinaram documentos concordando com regimento do processo que está em andamento”.

As chapas 2 (UFPel Mais), 3 (UFPel Tô Contigo) e 4 (UFPel Raiz) declararam total apoio e defesa à autonomia da COE para a condução do processo de consulta informal. Em um termo de compromisso conjunto, as chapas declararam que “a COE é composta por representantes legítimos da categoria de docentes, discentes e técnicos administrativos educacionais, ou seja, representa a voz da comunidade acadêmica. Categorias estas que, historicamente, vêm conduzindo as consultas informais para a indicação de reitores. O respeito ao regramento estabelecido pela COE, cuja chapas concordaram no momento das inscrições à consulta informal, é essencial para a certeza e a garantia do processo democrático”.

Termo de compromisso

Depois de uma série de notas e esclarecimentos, a COE e a coordenação das chapas reuniram-se para tentar firmar uma posição formal. A primeira tentativa ocorreu na noite de terça-feira, mas finalizou sem resultados. Na tarde desta quarta, após mais um encontro, a COE informou à reportagem que foi firmado um termo de compromisso entre comissão e chapas para seguir o processo. “O acordo prevê a corresponsabilização com a garantia do processo. O sistema adotado será o Helios, que será instalado no servidor de uma das entidades representativas. A operacionalização será aprofundada em nova reunião prevista para hoje”, disse a COE.

O candidato a reitor, Paulo Ferreira, em nome da chapa 1, explicou que haviam divergências com relação ao modo como se daria o processo de votação, especialmente porque se preocupavam com a dificuldade de participação dos estudantes. “Por isso viemos a público expor nossa opinião. Houve manifestações da COE e das outras chapas a respeito, também expondo seus entendimentos”, falou. De acordo com ele, a discussão chegou à comunidade universitária e, “felizmente, com serenidade, foi possível chegar a um consenso, capaz de assegurar a preservação e a amplitude do processo eleitoral”. 

As demais chapas reafirmaram seu apoio a COE e garantiram que seguirão o caminho orientado pela comissão.

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