Pandemia
A Covid que chega, e mata, na carona de outros tratamentos
Dados preliminares apontam que 70 pessoas de Pelotas se infectaram ao longo de internações; 3ª CRS realiza mapeamento em toda a Zona Sul
Divulgação -
Ainda não há um número oficial que indique quantos dos mais de 8,4 mil infectados da Zona Sul contraíram o novo coronavírus ao longo de outros tratamentos ou em contato com instituições de saúde. A 3ª Coordenadoria Regional de Saúde (3ª CRS) realiza levantamento junto aos hospitais há cerca de duas semanas para tentar montar o cenário. Dados preliminares, entretanto, apontam que 70 moradores de Pelotas se contaminaram nesses tipos de situação, não necessariamente no próprio município. Outros 59 casos estão em processo de investigação.
Em cidades como São Lourenço do Sul, por exemplo, cinco das sete pessoas que perderam a batalha para a Covid-19 acabaram infectando-se - e morrendo - exatamente onde e quando buscavam vencer outros problemas de saúde. Uma das vítimas, de 40 anos de idade, realizava tratamento oncológico em Porto Alegre e foi contaminada. Em agosto, uma jovem de 20 anos lutava para superar uma pancreatite, em Pelotas, e acabou derrotada pela pandemia.
"Nos sentimos impotentes. É uma situação complicada, em que não temos ingerência", afirma a secretária de Saúde de São Lourenço, Adriane Martins. "Não queremos ficar culpando A ou B, mas estamos em contato com a Coordenadoria pra buscar uma solução porque alguma falha está acontecendo", defende, em tom de desabafo.
Enfermarias do HE-UFPel chegaram a ficar bloqueadas a novas internações
Um surto identificado na quinta-feira, 3 de setembro, bloqueou a Unidade Rede de Urgência e Emergência I (RUE I) para recebimento de novos pacientes, no Hospital-Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE-UFPel). A medida foi adotada após cinco funcionários testarem positivo. Para evitar a propagação, o hospital desencadeou testagem com as 19 pessoas que estavam internadas e seus acompanhantes - já que a ala concentra casos de alta complexidade e é autorizado permanecer acompanhado.
Do total de pacientes, sete também tiveram diagnóstico confirmado e foram transferidos para Unidade Covid. Todas as enfermarias da RUE I passaram por desinfecção. "O HE adota todas as medidas de proteção e protocolos de controle para evitar a disseminação do novo coronavírus", garante a gerente de Atenção à Saúde, Carolina Ziebell.
A identificação dos resultados positivos entre os profissionais já seria consequência do monitoramento permanente recomendado pela Comissão de Controle de Infecções Hospitalares (CCIH) e pela Unidade de Saúde Ocupacional e Segurança do Trabalho (USOST) - argumenta. A testagem rotineira e periódica é, inclusive, destacada por um dos trabalhadores que prefere não ser identificado, mas traz a situação à tona.
"Testar todos os trabalhadores, rotineiramente, é a estratégia que mais impacta para controlar a pandemia de coronavírus", sustenta o integrante da equipe do HE. E preocupa-se com o cenário global, incluindo outras instituições de saúde - das redes pública e privada - de Pelotas que, para evitar o fechamento de Unidades poderiam estar negligenciando nas testagens. "O cenário que estamos enfrentando nesse momento em Pelotas é o mais assustador possível: profissionais Covid positivo continuam trabalhando, pois não são testados, e, assim ficam espalhando o vírus em enfermarias lotadas", assegura.
Conheça a posição
- Da 3ª CRS: A titular da 3ª Coordenadoria Regional de Saúde, Caroline Hoffmann, reforça que o tema é preocupante. Por isso, desde o começo da pandemia, ainda no mês de março, os procedimentos eletivos - que podem aguardar - foram suspensos, assim como as visitas. Tudo para evitar, ao máximo, a circulação nos hospitais.
"O ambiente hospitalar é de risco porque reúne pessoas que estão adoecidas e, portanto, mais vulneráveis ainda", lembra. "E, no caso do coronavírus temos um agente de alta poder infectivo e em alta velocidade de transmissão", ressalta. E ainda enfatiza: é justamente ali onde estarão todos os cidadãos com os quadros mais agravados da infecção.
O afastamento imediato de profissionais de saúde sintomáticos. Trabalhar exaustivamente em higienização e desinfecção de ambientes. Uso e troca de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados. Distanciamento entre os pacientes. Isolamento de áreas Covid e não Covid. Proibição do uso de ambientes coletivos, como refeitórios, cantinas e áreas de estar. Normas de controle rigorosas no manejo de pacientes suspeitos e confirmados. São apenas algumas das medidas que devem ser seguidas à risca, para reduzir o risco de contágio - destaca a coordenadora regional.
Confira os números da Covid-19 (*)
- Pelotas: 3.054 - 99 mortes
- Rio Grande: 3.017 - 116 mortes
- São José do Norte: 647 - 12 mortes
- Capão do Leão: 322 - 6 mortes
- Santa Vitória do Palmar: 255 - 3 mortes
- São Lourenço: 223 - 7 mortes
- Canguçu: 181 - 5 mortes
- Jaguarão: 141 - 3 mortes
- Arroio Grande: 86 - 1 morte
- Candiota: 79 - 1 morte
- Pedro Osório: 77 - 5 mortes
- Pinheiro Machado: 77 - 4 mortes
- Piratini: 41 - 1 morte
- Herval: 40 - 1 morte
- Amaral Ferrador: 39 - 1 morte
- Morro Redondo: 29 - 1 morte
- Turuçu: 28
- Chuí: 21
- Cerrito: 21
- Santana da Boa Vista: 20 - 2 mortes
- Arroio do Padre: 7
- Pedras Altas: 1
Total: 8.406 infectados e 268 mortes
(*) Dados registrados até a noite de quarta-feira (9)
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