Com amor, mãe
O amor como combustível da vida
Na luta contra o câncer Daniella se divide entre as atividades e o filho Otávio, e não deixa de lado a esperança e o bom humor
Carlos Queiroz -
Maquiadora, dançarina, passista, professora de muay thai, tatuadora, cozinheira, mãe e guerreira. A história de vida de Daniella Rocha Pinto, 37 anos, sofreu uma reviravolta no último ano, após a descoberta de um câncer de mama em estágio avançado. Desde então, a vida da mãe do pequeno Otávio, de quatro anos, precisou se adaptar, adotar passos mais lentos e deixar as tantas atividades um pouco de lado. Rotina não foi abalada graças ao amor, a solidariedade e, principalmente, a vontade de vencer.
Após receber o diagnóstico de câncer de mama em dezembro no ano passado, Daniella relembra que realizou os exames de rotina com diagnósticos negativos para a doença em novembro de 2019. "Em outubro 2020 eu achei um caroço na axila esquerda, bem grande". A procura por um profissional foi imediata. Foi uma questão de 15 dias para ter certeza, a suspeita era de algo muito agressivo pois estava se espalhando e desenvolvendo muito rápido", relata.
"Foi assustador para quem estava na minha volta, porque para mim, eu sempre digo, acho que o médico que está te atendendo faz a diferença para o teu tratamento, porque nenhum dos médicos usou a palavra câncer, eles usaram carcinoma, nódulo ou tumor, nomes técnicos. Assim eu tive forças, comecei a agir e correr atrás. Eu nunca me senti doente", conta.
Com a detecção de um nódulo na mama e outro na axila esquerda, a maquiadora partiu para uma das fases mais complicadas: contar aos familiares e amigos. Após compartilhar em suas redes sociais, a repercussão foi grande e Daniela passou a fazer de seu Instagram um "Diário de Bordo", onde relata aos seguidores sua vida e como é lidar com um câncer. "Muitas pessoas começaram a me procurar para saber melhor sobre a doença, principalmente pessoas jovens, me perguntando como que eu, tão nova, fazendo atividade física e tendo uma vida saudável, poderia estar doente. Elas me perguntavam com uma certa surpresa, pessoas de 30 anos que não tem o hábito de ir ao médico regularmente e isso me chocou", detalha a autônoma.
No dia 22 de dezembro, aconteceu a primeira quimioterapia. No comecinho do Mês das Mães, Daniella comemorou sua última sessão. A previsão agora é que a cirurgia para a retirada dos carcinomase ocorra ainda este mês, no dia 24.
Amor de mãe
Além dos tantos afazeres colecionados, Daniella tem um papel muito especial: de mãe, forte, e super-heroína para Otávio. Sobre a relação do pequeno com a doença, Daniela conta que ainda não há um entendimento, mas que na pureza de uma criança de quatro anos, ele entende que a mamãe está "dodói" e a cuida como se realmente houvesse uma noção da gravidade de um câncer. "Desde que eu descobri que ia ficar careca comecei a fazer transição então de 15 em 15 dias eu chegava em casa com o cabelo diferente. Isso já foi tranquilizando ele. Eu disse para ele que ia ficar careca, ele não gostou, disse que ele poderia desenhar na minha cabeça, ai ele gostou, mas o dia que eu cheguei mesmo careca ele chorou muito".
As histórias vão dando a este momento da vida um ar mais leve, como o puro entendimento de uma criança. "Quando eu estou fazendo soro em casa ele acha que é gasolina entrando. Eu digo para ele que se ele é um robô, a mãe dele tem que ser um robô também, então por isso eu preciso de gasolina", brinca.
Força de vontade
O que faz o andamento dessa história, que está sendo superada, mais bonita é a força de vontade e a fé que Daniella tem adotado em um tratamento tão severo. "As pessoas me perguntam como eu estou, eu digo que bom não é porque ninguém quer ter um câncer mas entre tudo isso a doença tem me ensinado muita coisa, e as pessoas tem me dado tanta força para fazer um tratamento bom e passar por isso de uma maneira boa que eu não tenho o que reclamar, só agradecer".
O equilíbrio foi testado há algum tempo, quando Otávio passou por um quadro grave de meningite. Olhando para as páginas passadas, a mãe conta que hoje vive um momento de "anestesia", e que a fé no sucesso do tratamento é certo. "Eu só sinto que estou doente e passando por alguma coisa quando fico nos dias ruins, mas mesmo assim nunca tive pena de mim, nunca perguntei porque comigo. Meu filho teve meningite com um ano e 11 meses e ficou na UTI, fiquei na correria, e fui entender o que ele passou quando passou, talvez eu vá entender tudo isso quando passar".
Aos 37 anos, com sonhos, vários afazeres e uma família para dar amor e carinho, Daniella afirma que a vontade de viver é muito maior do que a dor, e que a vontade de desistir nunca se passou pela sua cabeça. "Eu não dou espaço para estar ruim, eu não tenho tempo para estar ruim, eu tenho que viver, um monte coisa para fazer, tem filho, pipoca, muay thai. Ninguém quer ter câncer, mas a gente aprende a viver, a agradecer muito mais do que reclamar e isso é diário". A maquiadora ainda ressalta a importância das pessoas de falarem abertamente sobre o tratamento, uma vez que este tipo de tumor atinge mulheres em todo o mundo.
Ajuda
Desde o início Daniella faz seu tratamento pelo plano de saúde, contudo é necessário custear 10% em cada procedimento, o que eleva sobremaneira as despesas da família. Conforme a professora de muay thai a possibilidade de tratamento pelo SUS só ocorreu há cerca três semanas atrás para dar início aos exames. Quem quiser se unir e contribuir com o tratamento de Daniella pode fazer um depósito bancário.
Todos pela Dani
PIX: 53 981093134
Caixa Econômica
OP 013
AG 2703
Conta 1451-5
Daniella Rocha Pinto
CPF 00271591080
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