Educação

Pesquisa da UFPel avalia relações dos estudantes durante a pandemia

O estudo está na segunda etapa e dependerá do comportamento da crise sanitária para existir a terceira fase

Jô Folha -

Estudar o presente e criar um banco de memórias. Esses são alguns dos objetivos da pesquisa "Os impactos da Covid-19 nas relações sociais, econômicas e culturais dos alunos da UFPel", encabeçada pelo PET Diversidade e Tolerância da Universidade Federal de Pelotas. A primeira fase do estudo já foi concluída e agora os coordenadores estão trabalhando na segunda etapa. Acadêmicos da universidade podem participar respondendo este formulário: https://tinyurl.com/PesquisaUFPel.

A coordenadora do PET e do estudo, professora Lorena Gill, conta que o momento atípico, especialmente pelo isolamento social, foi o que impulsionou o PET a estudar os impactos na vida cotidiana dos alunos da UFPel. A primeira fase da pesquisa também ocorreu através do preenchimento de um questionário, que ficou disponível de abril a julho. Ele foi respondido por 444 acadêmicos, sendo 366 da graduação e 78 da pós-graduação, distribuídos em 22 unidades da UFPel. Do total, 27,48% das pessoas se identificaram como homens e 71,39% como mulheres e, ainda, 1,13% preferiu não se identificar. Destes, 287 declararam estar passando o período de isolamento em Pelotas, "o que certamente já mudou tendo em vista a incerteza do retorno presencial das aulas", completou a docente.

Em relação à autodeclaração racial, 74,3% se disseram brancos; 10,81% negros; 12,16% pardos; 0,90% amarelos; 0,67% indígenas e 1,16% outras. Outro dado importante destacado por Lorena é que 78,6% responderam que não possuem ou perderam algum projeto com bolsa durante a graduação; 70,94% não exercem nenhuma atividade remunerada fora da UFPel e a renda depende da ajuda de familiares. Já 17,34% declararam possuir algum vínculo empregatício, sendo que os mesmos sofreram cortes salariais ou tiveram suas atividades suspensas devido à pandemia, pois muitos trabalhavam de forma autônoma.

Ainda sobre os entrevistados, 402 declararam estar passando a quarentena acompanhados por familiares, amigos ou cônjuges e 182 disseram que houve uma mudança na participação das tarefas pré estabelecidas socialmente. Quando o questionamento foi ir às compras, a declaração foi que houve o repasse das tarefas para uma pessoa exclusiva da casa na sua maioria a mais jovem, além dos homens participantes afirmarem que, devido ao isolamento, estão mais participativos no cuidado com os filhos e com a rotina da casa. Em relação ao isolamento, 91,21% consideram importantíssimas as medidas adotadas a respeito do distanciamento, do uso de máscara e da higienização das mãos. Além disso, 37,38% declararam ter muito receio de contrair a Covid-19, mas afirmaram temer mais a vida dos familiares do que a própria.

Desgaste psicológico

O formulário também indagou sobre a maneira que os governantes vinham se posicionando para conter a pandemia. Do total, 397 declaram não apoiar as medidas tomadas pelo Governo. Entretanto, a coordenadora ressalta que os resultados mais alarmantes foram com relação ao grande aumento nos casos de transtornos de ansiedade e desgaste psicológico. "Os entrevistados relatam que, em função da dificuldade de lidar com a falta de rotina e às questões relacionadas ao desemprego e a dependência da renda de terceiros, têm desenvolvido fatores causadores de sofrimento psíquico", contou. Além do mais, segundo ela, a maioria relata casos de ansiedade e apreensão, embora se digam confiantes na ciência e na possibilidade de uma vacina.

O questionário encerrava perguntando o que os estudantes estavam aprendendo com o novo momento. De acordo com Lorena, as respostas que mais prevaleceram foram que os universitários estão pensando mais nas questões sociais, ambientais e na valorização dos profissionais da saúde, além da necessidade de investimentos em estudos relacionados à área da saúde. Os entrevistados responderam o formulário de forma anônima e um dos acadêmicos afirmou o seguinte na presente pergunta: "Na verdade, reforça convicções. Entendo que os padrões de consumo, de relações sociais e econômicas, bem como da sociedade com o meio ambiente precisam de mudanças urgentes. A crise apenas deixou claro problemas que já estavam evidenciados".

Segunda fase

A segunda etapa da pesquisa iniciou em setembro, também através do preenchimento de um formulário on-line. Os acadêmicos têm até dezembro para responder. Até o momento, 160 respostas já foram contabilizadas. Porém, a intenção é entrevistar aproximadamente o mesmo número de participantes da primeira fase. Lorena explica que a segunda oportunidade do estudo aborda mais aspectos relacionados ao calendário alternativo da UFPel, possibilitado avaliações sobre os pontos positivos e negativos, especialmente nos pontos vinculados às tecnologias e a preservação dos vínculos. "O objetivo é realizar uma comparação com os dados obtidos na primeira fase, já que as medidas de isolamento se acentuaram, pois houve um grande aumento do número de casos e de mortes", completou a coordenadora, que explicou que para existir uma terceira fase dependerá do comportamento da pandemia global.

 

Carregando matéria

Conteúdo exclusivo!

Somente assinantes podem visualizar este conteúdo

clique aqui para verificar os planos disponíveis

Já sou assinante

clique aqui para efetuar o login

Brasil registra 610 mortes e 23,9 mil casos em 24 horas Anterior

Brasil registra 610 mortes e 23,9 mil casos em 24 horas

TJRS julga inconstitucional decreto estadual Próximo

TJRS julga inconstitucional decreto estadual

Deixe seu comentário