Covid-19
Retomada cercada de incertezas
Com decreto publicado à tarde, alguns comerciantes optaram por não abrir as portas pela manhã
Alinhados com a decisão do governo do Estado em retomar a cogestão no modelo do Distanciamento Controlado, os municípios da Zona Sul adotaram as medidas da bandeira vermelha desde a manhã desta segunda-feira (22). Mas a série de reviravoltas no caso desde a última sexta-feira (19) trouxe um clima de incerteza a muitos empresários.
Tudo começou no início da noite de sexta, quando o governador Eduardo Leite anunciou a volta da cogestão e uma série de novas normas na bandeira vermelha, entre elas a possibilidade da reabertura do comércio. Mas, horas depois, uma decisão do Juiz Eugênio Couto Terra, da 10ª Vara da Fazenda Pública do Foro Central de Porto Alegre, determinou a suspensão da cogestão. Ele atendeu a um pedido Sindicato dos Municipários da capital e outras oito entidades que ajuizaram ação civil pública contra o Estado.
A história teve mais uma reviravolta durante o final de semana. No sábado (20), a Procuradoria Geral do Estado (PGE) entrou com recurso para derrubar a liminar do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS). A tentativa deu resultado no domingo (21) e o Estado pode, enfim, confirmar o retorno da cogestão.
"A bandeira preta foi fruto de uma análise dos números. Estamos vivendo nas últimas semanas um momento de cuidados mais fortes, de fechamento de atividades por conta deste agravamento da crise. Quando a gente passa três semanas e aqui em Pelotas somada a três finais de semana de lockdown, a tendência é que os números comecem a melhorar por um lado e por outro a gente pode ver também o estresse da sociedade, as pessoas ficam ansiosas, nervosas, irritadas, porque a verdade é que a atividade econômica é crucial para a vida em sociedade. Estamos completando um ano de pandemia, um ano desde que paramos tudo aqui em Pelotas e pelo Brasil afora e nunca imaginamos que um ano depois estaríamos vivendo o pior momento, tendo que parar de novo, fechar as portas dos empreendimentos e isso é muito doloroso, porque tem gente que depende disso para sobreviver, para sustentar suas famílias", disse a Prefeita Paula Mascarenhas (PSDB), em live para falar sobre o novo decreto.
O problema é que as reviravoltas na justiça deixaram grande parte dos empresários com um pé atrás. Em Pelotas, o decreto (confira na página 7) foi publicado apenas nas primeiras horas do dia, o que levou alguns lojistas a não abrirem as portas pela manhã. Quem abriu, porém, teve um movimento razoável. No Calçadão, algumas lojas tinham filas do lado de fora - tudo para respeitar o distanciamento social previsto nas medidas da bandeira vermelha.
"Está todo mundo assustado, muito medo, pânico generalizado, decreto sai, decreto não sai, ninguém sabe se pode abrir ou se precisa fechar. Parece que fazem de propósito. O Shopping mesmo todo fechado esperando a prefeita oficializar o decreto. Muitas lojas ficaram fechadas porque estavam esperando o decreto, outras que já sabiam meteram o peito e abriram. Estão brincando com a gente", afirmou o empresário Oswaldo Neto, 50 anos.
Sócio proprietário de uma tradicional loja do ramo de calçados no município, ele contou que as vendas online foram a salvação do mercado nos últimos tempos. "Está todo mundo mal de grana, tudo caro, difícil saber se essa reabertura vai ser boa. Comparando com as duas primeiras semanas quando a gente fechou no ano passado, a nossa venda pelo site está dando uma reagida, até porque o pessoal tem demanda de compra, então está comprando pelo site. A gente já bateu essa venda das duas semanas do ano passado."
Na região
A segunda-feira também foi de reabertura do comércio nos outros 21 municípios da região sul. Com decretos baseados na resolução estadual, cidades como Rio Grande, São Lourenço do Sul, Jaguarão, Arroio Grande e Canguçu liberaram as atividades desde as primeiras horas da manhã.
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