Atenção

Surto de chikungunya no RS acende alerta

Em Pelotas as houve apenas casos suspeitos da doença e ocorridos há quatro anos

Jô Folha -

Ainda que a Covid-19 seja a doença causadora de grande número de mortes no mundo desde o ano passado, existem outras enfermidades que necessitam de muita atenção, como a dengue e a chikungunya. Na última segunda-feira (12), o Rio Grande do Sul confirmou a primeira morte por dengue em 2021. O óbito aconteceu no final de março, em Santa Cruz do Sul, mas está longe de ser um caso isolado. Em Pelotas, embora atuando de forma diferente de antes da pandemia, agentes não param para evitar que situação semelhante possa vir a ocorrer.

Na semana passada, o município de São Nicolau, no noroeste do Estado, registrou um surto de chikungunya. Lá, algumas pessoas chegaram a confundir os sintomas com aqueles apresentados pelo novo coronavírus. De acordo com a coordenadora das Antropozoonoses da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Pelotas, Carla Chalá, os sintomas iniciais das duas doenças são semelhantes: febre, dor no corpo e dor de cabeça. Contudo, ela destaca que o que distingue a Covid-19 são os sintomas respiratórios, como coriza, tosse e dor de garganta, além de distúrbios olfativos e gustativos. “Já a chikungunya tem como sintoma característico a artralgia (dores nas articulações) intensa ou artrite intensa de início agudo”, explica.

Segundo a prefeitura, o monitoramento do mosquito transmissor da chikungunya (Aedes aegypti) é realizado pelo município há muitos anos, uma vez que é o mesmo que transmite a dengue e a febre amarela. No entanto, a observação de casos da doença é recente, em função dela ter começado a ser observada na região há pouco tempo. “Estamos sempre em alerta para agir na investigação de casos suspeitos com a maior brevidade possível. Os sintomas iniciais da Covid-19 podem ser parecidos com muitas doenças, portanto é importante que os profissionais de saúde estejam atentos para a notificação desses possíveis casos, pois o tratamento e a prevenção exigem cuidados diferentes”, explica Carla.

Apesar de ter sofrido aumento no número de focos do mosquito nos últimos dois anos, a coordenadora esclarece que em Pelotas foram registrados apenas três ocorrências suspeitas da doença desde 2017, e todos foram descartados. Mesmo assim, as equipes da prefeitura atuam em diferentes regiões da cidade, mas de forma moderada, em razão da pandemia. O trabalho é contínuo e feito por 23 agentes devidamente treinados e identificados, que visitam residências com o objetivo de evitar a proliferação do pernilongo que pode causar a chikungunya e outras doenças.

Focos
Em 2018, foram 21 focos de aegypti e 20 de albopictus. Já em 2019 houve um salto para 49 e 68, respectivamente. Os números foram ainda maiores no ano passado, com 53 focos de aegypti e 80 de albopictus - 133 no total.

Também houve mudanças quanto aos locais onde os focos foram encontrados. Em 2018, 45% dos focos eram identificados em armadilhas, com 35% em residências, 2,5% em terrenos baldios e 17,5% em outros locais (comércios e pontos que não se enquadram nas outras categorias). Em 2019 o houve um aumento considerável nas residências (45,3%), seguido por armadilhas (23,1%), outros (17,1%) e terrenos baldios (14,5%). Já em 2020, as residências seguiram na frente com 37,6%, e na sequência aparecem terrenos baldios (26,3%), armadilhas (21,8%) e outros (14,3%).

Como evitar a proliferação dos mosquitos?
Entre as orientações do setor de Saúde Ambiental da SMS, para evitar a proliferação de mosquitos, está a verificação e limpeza de calhas e caixa d’agua das residências, não deixar lixo exposto na rua, evitar deixar recipientes ao ar livre que possam acumular água, entre outras medidas.

Mosquito comum
Outro pernilongo que tira o sossego da população é o mosquito comum, o culex. A chefe da Vigilância Ambiental, Isabel Madrid, explica que o programa de Controle do Mosquito Comum está suspenso temporariamente, em razão da pandemia, já que os servidores integram o grupo de risco para a Covid-19. 

O problema, no entanto, pode se agravar no mês que vem. Segundo um funcionário que não quis se identificar, a prefeitura informou que não irá renovar os contratos dos Operários de Saúde Ambiental do setor de vetores, responsáveis pela aplicação de fumacê e veneno nas valetas. “Há muitos anos acontece de a cada dois anos esse contrato é renovado. Mas esse ano, acredito que até por um descaso da Secretaria da Saúde, eles estavam tentando terminar com o setor do culex”, comenta ao acrescentar que o setor também é responsável pela manutenção do canil municipal e por fazer apreensão dos cães nas ruas.

Segundo a administração municipal, os contratos atuais destes profissionais não podem ser renovados, pois o prazo legal para término, que é de dois anos, está se esgotando, visto que já ocorreu uma prorrogação conforme permitido em Lei. Em função disso, a Secretaria de Administração e Recursos Humanos informou que um Projeto de Lei para contratação temporária de novos funcionários para a função foi submetido ao Conselho de Política e de Remuneração de Pessoal (Coparp). O projeto aguarda parecer para ser protocolado junto à Câmara de Vereadores.

Carregando matéria

Conteúdo exclusivo!

Somente assinantes podem visualizar este conteúdo

clique aqui para verificar os planos disponíveis

Já sou assinante

clique aqui para efetuar o login

Mais de 1,7 mil mulheres aguardam mamografia em Pelotas Anterior

Mais de 1,7 mil mulheres aguardam mamografia em Pelotas

Confira os melhores apps de esportes e se mantenha atualizado sobre seu time favorito Próximo

Confira os melhores apps de esportes e se mantenha atualizado sobre seu time favorito

Deixe seu comentário