Educação presencial
Volta às aulas na rede estadual será só segunda-feira
Autorizadas a retomar as aulas, instituições permaneceram com salas vazias; nesta quinta, as particulares devem reabrir as portas para os alunos
Jô Folha -
O primeiro dia com autorização para o retorno presencial às aulas foi de salas vazias nas escolas de Pelotas. O clima de dúvida permanece. A partir desta quinta-feira (29), apenas alunos da rede particular passarão a ser acolhidos e, mesmo assim, a orientação é de que a retomada seja gradativa, em um primeiro momento direcionada apenas à Educação Infantil e ao 1º e 2º Anos do Ensino Fundamental, como já estava previsto. Entre as instituições estaduais, a volta está agendada para segunda-feira (3).
A quarta-feira também foi de novo alerta disparado pelo Comitê Covid da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Em documento de duas páginas, os pesquisadores apresentam dados sobre internações, infectados e mortes e são incisivos: retomar as atividades escolares neste momento de descontrole da epidemia significa colocar em risco a vida de toda a comunidade escolar, professores, funcionários, estudantes e suas famílias.
A nota técnica também reitera que em um cenário onde a vacinação ocorre lentamente, um lockdown de 14 dias é necessário, para barrar a circulação do coronavírus. E lembra que qualquer flexibilização significa aumento de circulação e de possibilidade de crescimento na transmissão. O Comitê ainda reforça: não é possível naturalizar uma média de quatro ou cinco óbitos por Covid-19 por dia em Pelotas.
Retorno programado para segunda na rede estadual
Ainda não é possível afirmar quantas das 125 escolas da área de abrangência da 5ª Coordenadoria Regional de Educação (5ª CRE) terão condições efetivas de reabrir as portas para as atividades presenciais e atender todos os protocolos de segurança, como distância mínima de 1,5 metro entre as classes, fluxos de entrada com medição de temperatura e equipe disponível para higienizar os ambientes entre um turno e outro. A fase é de levantamento, inclusive, com as famílias para verificar quantos alunos deverão voltar ao presencial.
A 5ª CRE também busca dados precisos sobre o número de professores e de funcionários que não poderão retornar devido a comorbidades. A expectativa, entretanto, é de que profissionais acima de 60 anos que, em 2020, estavam preservados devido à faixa etária, agora possam estar em contato direto com os estudantes em função de já estarem vacinados - afirma a coordenadora Alice Szezepanski. É um quebra-cabeça a ser montado, com uma série de cuidados a adotar.
Quem está na linha de frente, sabe bem. Na escola Estadual Areal, a diretora Márcia Peglow prepara-se para receber os estudantes de 1º e 2º Anos do Fundamental, a partir de segunda-feira. Até a tarde desta quarta-feira (28), das 40 crianças matriculadas, apenas três já haviam confirmado presença. A preocupação, portanto, é com relação à carga horária dos professores: "Como ficará a jornada deles? Como irão atender os alunos em sala de aula, disponibilizar conteúdo pela plataforma e dar atenção para quem ficará em casa? Não tem como eles fazerem jornada dupla", sustenta.
E ao projetar o momento em que as 15 salas de aula estejam em operação, simultaneamente, a diretora enxerga problemas em vista. Só há dois servidores de limpeza à disposição e dois monitores; uma equipe insuficiente para manter condições mínimas de segurança para todos e controle sobre o cumprimento dos protocolos. Sem falar na ausência de professores devido a comorbidades.
Ainda assim, o cenário era de organização e lista de tarefas: limpar salas, cortar a grama, remover bebedouros, isolar áreas e adaptar o cardápio da merenda com o cardápio que será possível nos primeiros dias. Os estudantes terão apenas três horas de atividades, sem recreio ou hora da merenda. O alimento será levado para casa.
Cpers busca manutenção da liminar que suspende aulas
O Cpers-Sindicato tenta derrubar na Justiça a decisão do governo do Estado, que alterou as regras do modelo de Distanciamento Controlado e editou novo decreto que permitisse - através da bandeira vermelha - a retomada das aulas presenciais no Rio Grande do Sul. E para todos: da Educação Infantil ao Ensino Superior.
"Foi uma medida absolutamente autoritária do governador. Não surgiu nenhum elemento novo em termos científicos com relação à pandemia, que justificasse essa decisão", enfatiza o diretor do 24º Núcleo do Cpers, Mauro Amaral. "Foi uma artimanha para não se submeter à decisão do Tribunal".
Amanhã, às 16h30min, a categoria reúne-se em assembleia virtual de mobilização regional, para articular instrumentos de pressão. Na segunda, no mesmo horário, ocorrerá assembleia geral para todo o Estado.
Confira também
- Rede particular volta nesta quinta: As escolas recebem os alunos a partir desta quinta-feira. Apesar de terem autonomia para as decisões, a orientação do Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinepe/RS) é de que a volta seja realizada em calendário definido de forma gradual. Primeiro, a gurizada da Educação Infantil e do 1º e 2º Anos, depois, até o 5º Ano. Na sequência, também por ordem, do 6º ao 9º Anos e, por último, o Ensino Médio. "O ideal é fazer tudo com calma. Este é um momento mais de acolhimento do que de conteúdo", defende o presidente Bruno Eizerik.
- Na rede municipal ainda não há previsão: O retorno nas escolas municipais permanece sem data definida. Das 93 instituições, apenas 28 já possuem autorização da Vigilância Sanitária para retomada presencial ou híbrida. A fase é de reuniões com as equipes diretivas, de obras e de reestruturação para que ao menos parte dos 30 mil alunos possa voltar para sala de aula. "Também estamos envolvidos em um movimento pela vacinação dos trabalhadores da Educação, que é algo fundamental", destaca a secretária Adriane Silveira.
Enquanto isso, as atividades seguem com as seis ferramentas à disposição desde 15 de março: uso da plataforma Google Sala de Aula, do Facebook, do WhatsApp, de e-mail, do Telegram e através de material impresso.
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